Há 281 casos suspeitos de novo coronavírus que estão a ser analisados em Portugal e subiu para 31 o número de pessoas infectadas por Covid-19.
Com o avançar da epidemia no mundo, onde existem já 110.200 infectados e 3.800 mortos, o jornal inglês “The Guardian” falou com vários cientistas e compilou nove razões pelas quais não deve entrar em pânico.
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- O vírus é conhecido: omo López-Goñi ,professor de microbiologia e virologia na Universidade de Navarra, em Espanha, escreveu para o “The Conversation”, em França, o vírus causador de casos de pneumonia grave em Wuhan, na China, foi identificado em sete dias após o anúncio oficial, a 31 de Dezembro de 2019. Três dias depois, a sequência genética estava disponível. Sabe-se também que é natural, que está relacionado com um vírus encontrado em morcegos e que pode sofrer mutações, embora não mostre fazê-lo com frequência. Por comparação, foram precisos dois anos para identificar o HIV após o seu aparecimento em meados de 1981, salientou López-Goñi.
- É possível fazer testes para detectar infecção: a 13 de Janeiro estava disponível um teste desenvolvido por cientistas do departamento de Virologia do hospital universitário Charité, em Berlim, na Alemanha, desenvolvimento com a ajuda de especialistas em Roterdão, Londres e Hong Kong.
- Pode ser travado com quarentena e medidas de contenção: na passada quinta-feira, dia 5 de Março, foram relatados 120 novos casos em Wuhan (o epicentro do surto), o número mais baixo em seis semanas, e, pela primeira vez desde o início da doença, não houve qualquer caso detectado numa outra localidade da província de Hubei. Várias províncias chinesas não registaram novos casos durante 15 dias, ou mais, e já estão a reabrir as escolas, por exemplo.
- Não é assim tão fácil sermos infectados: a lavagem frequente das mãos é a forma mais eficaz de impedir a transmissão de vírus. Para desinfectar superfícies, deve optar por soluções à base de etanol, peróxido de hidrogénio ou lixívia desinfectará as superfícies, mas jamais as três juntas). Estão expostos a alto risco de contágio todos aqueles que tenham contacto físico directo com uma pessoa infectada, que estejam no raio de tosse ou espirros de alguém doente ou em contacto directo com alguém infectado, num raio de dois metros, por mais de 15 minutos.
- A maioria dos casos apresenta síntomas leves. Um estudo realizado junto de mais de 45 mil infectados na China revela que 81% dos casos apresentaram apenas sintomas leves. Apenas 14% dos pacientes estiveram em estado «grave» e apenas 5% foram considerados «críticos», com cerca de metade desses casos a resultar na morte dos doentes. Apenas 3% dos casos dizem respeito a menores de 20 anos e as crianças têm sido pouco afectadas pelo vírus. A taxa de mortalidade para os menores de 40 anos é de cerca de 0,2%. Aumenta, no entanto, na faixa etária acima de 65 anos, chegando a quase 15% acima de 80 anos, especialmente em pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares. As autoridades de saúde pública confirmaram, na semana passada, que este novo coronavírus tem uma taxa de mortalidade global de 3,4% e não de 2%, como chegou a ser adiantado. O Covid-19 é, ainda assim, menos mortal do que outros coronavírus como a SARS (9,5%) e a MERS (34,5%).
- A taxa de recuperação é elevada: a maioria dos infectados recupera do vírus sem precisar de um tratamento específico
- Centenas de artigos científicos já foram escritos sobre o assunto: digite Covid-19 ou Sars-19 no motor de busca do portal PubMed da biblioteca nacional de medicina dos Estados Unidos e encontrará, apenas cinco semanas após o aparecimento do vírus, 539 referências a artigos sobre a doença. A maioria é de acesso livre.
- Existem protótipos de vacinas: laboratórios comerciais farmacêuticos e biotecnológicos como Moderna, Inovio, Sanofi e Novavax, assim como grupos académicos da Universidade de Queensland, na Austrália têm protótipos de vacinas preventivas em desenvolvimento, algumas das quais deverão estar prontas em breve para testes em humanos.
- Estão a ser testados dezenas de tratamentos: em meados de Fevereiro, mais de 80 ensaios clínicos estavam em andamento para tratamentos antivirais, segundo a revista “Nature”, e a maioria já foi utilizada com sucesso no tratamento de outras doenças. Drogas como remdesivir (Ébola, Sars), cloroquina (malária), lopinavir e ritonavir (HIV), e baricitinibe (poliartrite reumatóide) estão a ser testados em pacientes que contraíram o coronavírus, alguns como resultado de pesquisas que integram inteligência artificial.



