Covid-19. Novas regras para o secundário favorecem escolas que inflacionam notas, diz presidente do Conselho das Escolas

Professores, alunos e pais consideram que poderá vir a faltar equidade no acesso ao ensino superior.

Revista de Imprensa

As mudanças na forma de calcular o peso dos exames nas médias internas de final de ano está, segundo o “Diário de Notícias” (DN), a gerar controvérsia. Professores, alunos e pais consideram que poderá vir a faltar equidade no acesso ao ensino superior.

Se antes os alunos podiam candidatar-se a um exame de uma disciplina da qual já tinham conseguido transitar de ano para aumentar o seu valor final, isso já não será possível este ano. A nota dos exames não poderá alterar a interna e a medida poderá mesmo beneficiar os alunos que frequentam escolas que inflacionam as classificações internas, admite o o Conselho das Escolas.

«É lícito concluir que os alunos das escolas que inflacionarem as notas, quer nas escolas que o fazem por hábito quer em qualquer escola que o venha a fazer, sairão beneficiados relativamente aos restantes no concurso para acesso ao ensino superior», diz ao “DN” José Eduardo Lemos, presidente do órgão consultivo do Ministério da Educação.

José Eduardo Lemos disse ainda que, «ao contrário daquilo que foi afirmado» pelo Governo, há alterações na forma como os estudantes acedem neste ano ao ensino superior: «Estas novas medidas constituem-se como uma alteração das regras de acesso ao ensino superior, uma vez que a classificação média com que cada aluno concluirá o ensino secundário [e que é considerada, no mínimo, em 50% no aceso ao ensino superior] será diferente da que seria obtida se as regras se mantivessem como até ao ano passado».

Já a presidente da Associação Nacional de Professores, Paula Figueiras Carqueja, defendeu ao “DN” que «nenhum aluno deveria estar impedido de realizar uma prova que lhe possibilite obter a almejada melhoria de nota».

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A situação motivou, entretanto, a criação de uma petição, subscrita por 8.126 pessoas (até às 11:05 desta sexta-feira», «contra a eliminação da melhoria da classificação final da disciplina por exame». Este pedido é, segundo o “DN”, reforçado pela Associação Nacional de Professores. «Também nós solicitámos ao governo que reconsidere as medidas apresentadas e que pretende implementar», disse ao jornal a presidente deste organismo.

Recorde-se que as escolas estão encerradas desde 16 de Março, quando o Governo decidiu suspender todas as actividades lectivas presenciais, e os alunos trocaram a sala de aula por um espaço na sua casa e passaram a ter aulas online e a receber os trabalhos por e-mail ou pelo correio.

O terceiro período arrancou a 14 de Abril e a telescola começou esta segunda-feira, 20 de Abril. A primeira fase de exames decorre entre 6 e 23 de Julho e a segunda fase de 1 e 7 de Setembro.

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Portugal regista já 22.353 casos de infecção pelo novo coronavírus, mais 371 do que ontem, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde, divulgado nesta quinta-feira, que dá conta de 820 vítimas mortais (+35).

O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias “France-Press”, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 190 mil mortos e infectou mais de 2,6 milhões de pessoas em 193 países e territórios, com mais de 708 mil doentes considerados curados.

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