Covid-19: Moratórias privadas para habitação recuaram 42% entre junho e fevereiro

O governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, disse hoje que as moratórias privadas do crédito à habitação recuaram 42%, ou 2,37 mil milhões de euros, até fevereiro, face ao valor mais elevado, que foi registado em junho.

Executive Digest com Lusa

O governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, disse hoje que as moratórias privadas do crédito à habitação recuaram 42%, ou 2,37 mil milhões de euros, até fevereiro, face ao valor mais elevado, que foi registado em junho.

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“Desde o ponto mais alto, que se deu em junho, até fevereiro, houve uma redução dessas moratórias [privadas do crédito à habitação] de 42%. São menos 2.375 milhões de euros de euros em moratórias”, referiu Mário Centeno, precisando que esta tem sido uma “redução continuada” ao longo deste período.

Mário Centeno, que está a ser ouvido na comissão de Orçamento e Finanças sobre moratórias de crédito bancárias, referiu que as moratórias “foram uma parte importante da resposta” a esta crise, mas assinalou que o valor de crédito ao abrigo das moratórias privadas tem vindo a reduzir-se.

“É uma redução continuada ao longo de todo este período. Pode haver um fenómeno de transferência para as moratórias públicas, mas há claramente uma redução muito forte”, referiu o governador do Banco de Portugal que no início desta audição tinha sido questionado pela deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua sobre a hipótese de, perante o fim da moratória privada, os créditos à habitação estarem a ser transferidos para a pública, cuja adesão termina esta quarta-feira, dia 31 de março.

Mário Centeno referiu que os dados indicam que, apesar da alguma transferência, esta não explica toda a redução. Desde outubro, referiu, observou-se um aumento dos créditos à habitação na moratória pública em cerca de 242 milhões de euros, valor inferior aos mais de 700 milhões de redução dos créditos na moratória privada.

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Além da deputada do BE, também os deputados do PS, PSD e PCP questionaram o governador do Banco de Portugal sobre de que forma é que o supervisor está a acompanhar o fim das moratórias privadas para o crédito à habitação que acontece no final deste mês, o que significa que as famílias em causa retomam o pagamento destes empréstimos já em abril.

O prolongamento das moratórias tem sido outro dos pontos focados pelos deputados (um projeto do PCP a propor a prorrogação por mais seis meses é apreciado esta quarta-feira pelo parlamento), mas Mário Centeno reafirmou que tal acabaria por ter um “efeito ricochete” sobre os bancos e sobre os clientes e poderia ser mesmo uma “armadilha” sobretudo para as empresas.

“Num quadro europeu que não permite a prorrogação das moratórias, a situação não pode ser colocada desta forma, Portugal não pode ficar isolado nesta dimensão”, referiu, adiantando que se deve apostar “naquilo que é o trabalho que a banca tem de fazer com os seus clientes” e também na adaptação dos apoios públicos à evolução da crise.

“Não podemos tirar nenhum apoio de forma precoce, mas podemos e devemos adaptá-los e ajustá-los à crise pandémica”, precisou.

A moratória da ASFAC, disse também, já terminou e “não houve” no fim desta moratória qualquer dificuldade em tratar eventuais incumprimentos.

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A presença do governador do Banco de Portugal foi requerida pelo Bloco de Esquerda, que considera o conjunto das moratórias em vigor (públicas e privadas) como “provavelmente o maior balão de oxigénio” das empresas e famílias perante a crise económica, tendo em conta “os insuficientes e tardios apoios do Estado”.

A adesão às moratórias públicas por parte de particulares (para crédito à habitação e ao consumo destinado a educação) e empresas termina esta quarta-feira, dia 31 de março, sendo que quem o faça agora poderá beneficiar desta medida de diferimento do pagamento do crédito (capital e/ou juros) por um máximo de nove meses.

Já os particulares que optaram por aderir às moratórias privadas (criadas no âmbito da Associação Portuguesa de Bancos), retomam a partir desta quinta-feira, dia 01 de abril, o pagamento do crédito à habitação.

No caso do crédito ao consumo, a moratória aplica-se até 12 meses após a contratação, com o limite de 30 de junho.

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