A FENPROF (Federação Nacional dos Professores) continua sem resposta do ministro da Educação sobre o atual impacto da Covid-19 nas escolas, requerido a 18 de janeiro, e acusou Tiago Brandão Rodrigues “de ocultar a situação, somente respondendo quando intimado pelo tribunal, o que já aconteceu duas vezes”, conforme pôde ler-se no comunicado enviado pelo organismo sindical.
“Perante a continuada ocultação dos dados relativos às escolas, a FENPROF pretendeu saber o que se passa neste início de segundo período letivo, não com o intuito de defender o encerramento das escolas, mas de, face à evolução da situação, avaliar da adequação das medidas de segurança sanitária em vigor.
Nesse sentido, a informação requerida no passado dia 18 foi: lista das escolas e jardins de infância, públicos e privados, incluindo do sector social, em que, na sequência dos testes realizados após o regresso às aulas presenciais, foram identificados casos de Covid-19; número de docentes e trabalhadores não docentes que, em cada estabelecimento, já no 2º período letivo e na sequência da testagem em curso, esteve ou está infetado pelo vírus SARS-CoV-2; número de docentes, já no segundo período letivo, que ficaram em isolamento; e número global de docentes já vacinados com a dose de reforço e percentagem que o mesmo representa, distinguindo docentes que exercem atividade em creche, docentes de estabelecimentos particulares ou cooperativos e docentes de escolas e jardins de infância da rede pública”, acusou o comunicado.
As notícias recentes sobre os cerca de 2.700 casos positivos no início do 2º período letivo, em 150 mil testes – menos 30 mil do que no 1º período e menos 70 mil do que o universo de trabalhadores docentes e não docentes das escolas – foram recebidas com estranheza. “Esta diferença dos números foi justificada pelo Ministério da Educação com as normas em vigor da DGS, que ‘desaconselham a testagem a quem esteve infetado nos últimos 180 dias’.
Esta justificação suscita uma dúvida: estiveram 70 mil trabalhadores infetados nos últimos 6 meses, dos quais, 30 mil só no 1º período deste ano letivo? É estranho. Se recordarmos os números do Ministério da Educação sobre o 1º período só terão sido registados 7 mil casos”, entre trabalhadores e alunos.
“Como a FENPROF já havia afirmado, era suspeita esta redução do número de casos quando comparado com o número de surtos nas escolas divulgado pela DGS – menos de 100 em 2020 e cerca de 400 no final de 2021”, interrogou o órgão sindical, que relembrou que “dia 1 de fevereiro esgota-se o prazo de 10 dias úteis” atribuído ao ministro da Educação para responder. “Se não houver resposta, a FENPROF voltará a recorrer ao tribunal”.




