83 milionários da Alemanha, Holanda, Dinamarca, Reino Unido, Canadá, Estados Unido e Nova Zelândia, escreveram uma carta aberta a pedir que os seus governos aumentem os impostos sobre os mais ricos, com o objectivo de impulsionar uma recuperação económica, na sequência da crise da Covid-19, avança o ‘The Guardian’.
Os signatários da carta, que incluem, Jerry Greenfield, o co-fundador da Ben and Jerry e Abigail Disney, o herdeiro da empresa, solicitam que «os governos aumentem os impostos sobre pessoas como nós. Imediatamente. Substancialmente. Permanentemente», pode ler-se no documento a que o jornal britânico teve acesso.
«Numa altura em que a Covid-19 afecta o mundo, os milionários desempenham um papel crítico», escreveram os responsáveis. «Não, não somos nós que cuidamos dos doentes nas unidades de cuidados intensivos. Não estamos a conduzir as ambulâncias que os transportam até aos hospitais. Não estamos a repor as prateleiras dos supermercados ou a entregar comida de porta em porta», dizem, continuando: «Mas nós temos dinheiro, muito dinheiro. Dinheiro que é desesperadamente necessário agora e continuará a sê-lo nos próximos anos, à medida que o mundo recupera desta crise».
O grupo de milionários alertou para o facto de que o impacto económico da crise do novo coronavírus «vai durar décadas» e poderá «empurrar mais de meio bilião de pessoas para uma situação de pobreza».
«Os problemas causados e revelados pela Covid-19 não podem ser resolvidos com caridade, por mais que ela exista. Os líderes do governo devem assumir a responsabilidade de levantar os fundos de que precisamos e gastá-los de forma justa», pode ler-se no documento «Temos uma dívida enorme para com as pessoas que trabalham na linha da frente desta batalha global. A maioria dos trabalhadores essenciais é extremamente mal paga pelo fardo que carregam».
O grupo divulgou a carta antes da reunião de ministros das Finanças do G20 e dos governadores dos bancos centrais deste fim de semana, apelando a que os políticos «combatam a desigualdade global e reconheçam que os aumentos de impostos sobre a riqueza, bem como uma maior transparência tributária internacional são essenciais para uma solução viável a longo prazo».
O número de milionários continua a crescer, apesar do impacto económico da crise de saúde pública e dos bloqueios globais. Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo, fundador da Amazon, viu a sua fortuna aumentar em 75 mil milhões de dólares até ao momento, só este ano, para um recorde de 189 mil milhões de dólares.
Existem mais de 500 mil pessoas no mundo classificadas como «super-ricas», com fortunas de mais de 30 milhões de dólares, o que significa que existem mais pessoas nesta categoria em todo o mundo do que as populações da Islândia, Malta ou Belize.










