A possível reabertura das creches em Maio, como anunciado na semana passada pelo primeiro-ministro, não está a reunir consenso. No portal “Petição Pública” são já várias as petições criadas a pedir para que isso não aconteça. Uma delas reúne já 18.003 assinaturas.
Na petição intitulada «Não abertura de creches, pré-escolas e ATL’s e pelo menos até Setembro», que reúne mais subscritores, os autores apelam para que se mantenham as creches fechada até, pelo menos, ao final do ano lectivo. «As crianças não podem nem sabem manter a distância de segurança, não percebem o porquê de não poderem abraçar-se, beijar ou pedir colo. Aliás, estão constantemente em contacto directo com os colegas, educadores e auxiliares. Mesmo que lavem as mãos regularmente, nunca estão limpas, mexem no chão, nos brinquedos, objectos (onde as solas do calçado anda e deposita o vírus trazido da rua) onde de seguida levam a boca», justificam.
«Todos sabemos (ou devíamos) que as crianças são transmissoras dos agentes patogénicos que causam virose e afins (mesmo que com poucos sintomas ou nenhuns). Basta vermos que, quando uma criança esta doente, logo todas na mesma sala fica, seja a vez ou não. Infectando também as educadoras e auxiliares que, por sua vez, também vão infectar familiares. Não será preciso explicar que a partir daqui terem os várias cadeias de transmissão», acrescentam ainda, sublinhando: «É normal quererem retomar a economia, mas não comecem pelo fim ou acabarão com confinamento e com medidas mais severas, e a economia terá novo pico decrescente. Como se costuma dizer, será pior a emenda que o soneto! Apelamos ao vosso bom senso e noção».
Outro dos argumentos é que «quando as crianças ficam doentes, os pais recorrem a baixa paga a 100%, é mais que 66%». «Não assassinem de vez a economia (devido a novo surto por levantamento prematuro de certas medidas) e não mandem para a guerra, as crianças, que, por si só, já têm sido uns heróis.»
«Começar pelas crianças de mais tenra idade é uma bomba relógio… Estão a iniciar o processo pela ordem inversa… Lá porque outros países decidiram tomar, irresponsavelmente, essa decisão, isso não significa que seja a correcta», pode ler-se numa outra petição com 4.503 assinaturas.
Numa terceira, com 10.247 assinaturas, pode ler-se o apelo de uma mãe. «Como mãe me sinto revoltada pois não acho justo abrirem as creches pois todas as crianças são de risco e não são só aquelas que frequentam o pré escolar ou o ensino básico, acho uma falta de respeito abrirem as creches e brincarem com a saúde dos mais pequenos, tomem outra decisão e não abram as creches.. Um por todos e todos por um, todos pelas crianças», afirma.
Outras 654 pessoas pedem que «a decisão seja revista e que estes estabelecimentos sejam apenas reabertos se se verificarem as devidas condições de segurança, após um período mínimo de dois meses (quatro períodos de incubação do novo coronavirus), a contar do fim de Estado de Emergência».
Na passada quinta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, anunciou no Parlamento que pretende reabrir as creches durante o mês de Maio, encerradas devido à pandemia de Covid.19. «Temos o dever de procurar ter a ambição de, em Maio, podermos reabrir as creches, que são fundamentais para apoiar as famílias, para evitar que muitas tenham perda de rendimento ou esforço acrescido quando se mantém em casa em regime de tele-trabalho», disse.
«Gostaria muito que pelo menos no período da praia-campo as crianças do pré pudessem voltar a conviver, porque é muito importante para a sua formação que possam conviver com as outras e possam não estar confinadas no seu espaço familiar», ressalvou ainda.
A nível global, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 164 mil mortos e infectou mais de 2,3 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 525 mil doentes foram considerados curados.
Portugal regista 714 óbitos (+27 em 24 horas) e 20.206 infectados (+521), segundo o relatório da Direção-Geral de Saúde deste domingo.
O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».





