Os níveis alcançados quanto a perda de emprego nos EUA, devido à pandemia do coronavírus, podem levar a que menos da metade dos americanos, em idade ativa, recebam o seu vencimento em maio, alerta, esta quinta-feira, James Knightley, economista-chefe internacional do ING.
A perda de empregos já contribuiu para a queda acentuada no consumo, em destaque nos mais recentes relatórios de vendas no retalho e na habitação. Atendendo a que o consumo representa cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, adivinha-se efeitos na economia, no mínimo, severos.
Em ano eleitoral, o desemprego generalizado poderá ainda significar que o apelo aos políticos para reabrir a economia crescerá, independentemente dos conselhos de saúde, de acordo com Knightley. Mas uma reabertura precipitada diminui a hipótese dos EUA terem uma rápida recuperação, acrescentou.
Contabilizando apenas as perdas em abril, estas podem vir a aumentar a taxa de desemprego para 16%, segundo Knightley, sendo que, se mais 10 milhões de americanos apresentarem forem também para o desemprego em maio, poderá levar a taxa a disparar para 22%, acrescenta.
“Felizmente, estes números estão abaixo do pico de 24,9% registado em 1933, mas recordo que um terço dos americanos entre 18 e 65 anos não está ‘classificado’ enquanto empregado ou desempregado já que são estudantes, reformados (precoces), donas de casa, cuidadores ou doentes”, detalhou Knightly, acrescentando que é precisamente este cenário que nos leva “a mais uma estatística preocupante, a de que menos da metade dos americanos em idade ativa vão receber um ordenado no próximo mês”, concluiu.
Recorde-se ainda que, nas últimas cinco semanas, 26 milhões de americanos apresentaram um pedido de sub´sidio de desemprego, um número impressionante e recorde, que rapidamente superou as perdas de emprego registadas na Grande Recessão.
Embora alguns economistas tivessem chegado a estimar que os pedidos de subsídio de desemprego iam começar a recuar a partir do pico atingido em março, diante desta nova realidade já esperam que a perda contínua de empregos atinja ainda alguns milhões nas próximas semanas.




