Os termómetros utilizados para medir a temperatura na tentativa de diagnosticar uma eventual infecção são «inconsistentes» e não trazem benefícios, pelo contrário, defende o consultor de saúde da Casa Branca, Anthony Fauci, citado pelo Business Insider’.
Certo de que poderá estar a «decepcionar muitas pessoas» com estas afirmações, Fauci assegurou mesmo que deixou de verificar a temperatura porque era um processo «inconsistente» e «desnecessariamente demorado».
Ainda assim, os termómetros tornaram-se ferramentas de rastreamento de coronavírus, e são amplamente utilizados em locais públicos, nomeadamente em cabeleireiros, escritórios, escolas e aeroportos.
Esta medida «é tão desnecessária e arbitrária quanto tirar os sapatos antes de embarcar num avião», reforçou ainda o Departamento de Segurança dos EUA num balanço da sua atividade nos aeroportos, avançado pela ‘ABC News’. As verificações de temperatura não são só «imprecisas e inúteis», como também estão a levar as pessoas a uma «falsa sensação de segurança» durante a pandemia, detalhou ainda o Departamento.
A temperatura de uma determinada pessoa, mesmo quando é medida com precisão, nem sempre é uma indicação de infecção precoce por coronavírus e muitas vezes não vai ditar que alguém está doente , mesmo que se encontre no seu estágio mais contagioso, até porque muitos dos infectados não têm febre.
Prova disso é um estudo de um hospital em Melbourne, na Austrália, onde os profissionais de saúde mediram as temperaturas a 34 pacientes com teste positivo para COVID-19, entre Março a Maio, concluindo que a febre estava presente apenas em cerca de 20%.
Em última análise, as verificações de temperatura são uma peça perigosa de um «teatro de segurança pandémico», que pode encorajar as pessoas a ficarem confinadas nos momentos exactos em que realmente não deveriam estar, segundo o ‘Business Insider’.
«Se o seu objectivo é filtrar as pessoas que estão a entrar num determinado espaço, é principalmente teatro», disse Inder Singh, CEO da empresa de termómetros Kinsa. «Este tipo de situação está repleta de erros. Francamente, no momento em que se mede a temperatura das pessoas, já é tarde demais, já passaram pelo autocarro, já estiverem em público», acrescenta.
Em vez disso, os termómetros devem ser um dos muitos protocolos de protecção contra o coronavírus, usados antes de as pessoas saírem para espaços públicos e transmitirem aos outros as suas bactérias, defende o especialista.






