As diferentes respostas do sistema imunológico de pacientes com Covid-19 podem ajudar a prever quem sofrerá consequências moderadas e graves da doença, de acordo com um novo estudo realizado por investigadores de Yale, publicado na revista ‘Nature’.
A equipa sublinha que estes resultados podem ajudar a identificar indivíduos com alto risco de doença grave no início de sua hospitalização e sugerir medicamentos para o tratamento da Covid-19.
Os investigadores examinaram 113 pacientes internados no Hospital Yale New Haven e analisaram as diferentes respostas do sistema imunológico que exibiram durante o internamento, desde a admissão até a alta ou à sua morte.
E com esta abordagem descobriram que todos os pacientes partilhavam uma “assinatura” comum da Covid-19 na atividade do sistema imunológico no início da doença.
Mas aqueles que apresentaram apenas sintomas moderados exibiram respostas decrescentes do sistema imunológico e carga viral ao longo do tempo. Já os pacientes que desenvolveram casos graves não mostraram diminuição da carga viral ou reação do sistema imunológico, e muitos dos sinais imunológicos nesses pacientes ainda aceleraram.
Remontando mesmo ao início do tratamento, os investigadores encontraram indicadores que previam quais os pacientes que corriam o maior risco de desenvolver formas graves da doença.
“Conseguimos retirar assinaturas de risco de doença”, explicaram os autores do estudo, Akiko Iwasaki, professor de Imunobiologia e Biologia Molecular, Celular e de Desenvolvimento e o investigador do Instituto Médico Howard Hughes, Waldemar Von Zedtwitz (também participaram neste estudo Carolina Lucas, Patrick Wong e Jon Klein, de Yale, e Tiago BR Castro, da Rockefeller University).
Os cientistas sabiam que o sistema imunológico desencadeia uma “tempestade de citocinas” massiva e prejudicial em casos graves de Covid-19. Mas os elementos específicos da resposta do sistema imunológico mais responsáveis pelos danos eram desconhecidos.
A análise de Yale encontrou alguns links intrigantes no caso dos maus resultados. Curiosamente, segundo afirmaram os investigadores, um factor de risco foi a presença de ‘interferon alfa’, uma citocina mobilizada para combater patogénios virais, como o vírus da gripe. No entanto, os pacientes com Covid-19 com altos níveis de ‘interferon alfa’ tiveram pior desempenho do que aqueles com baixos níveis.
Outro prognóstico precoce de maus resultados é a ativação do ‘inflamassoma’, um complexo de proteínas que deteta patogénios e desencadeia uma resposta inflamatória à infeção. A ativação do ‘inflamassoma’ foi associada a maus resultados e morte em vários pacientes.
Estes dados, no conjunto, podem ajudar a prever pacientes com alto risco de terem os piores resultados, aponta a equipa, acrescentando que os medicamentos direcionados a causas específicas de inflamação identificadas no estudo podem ajudar a tratar pacientes com risco de desenvolver casos graves da Covid-19.





