Os bastonários das ordens dos Médicos, Enfermeiros e Farmacêuticos vão enviar, esta quarta-feira, uma carta endereçada ao primeiro-ministro na qual criticam as afirmações feitas durante a entrevista à “TVI”, durante a qual garantiu que «até agora não faltou nada e não é previsível que venha a faltar» na capacidade do sistema de saúde para enfrentar a pandemia de Covid-19. A notícia foi avançada pelo “Expresso”.
Na entrevista à “TVI”, o jornalista Miguel Sousa Tavares recordou que o Presidente da República disse no discurso que fez ao país: «Ninguém vai mentir a ninguém. Isto vos garante o Presidente da República». Ao que António Costa respondeu: Houve um reforço de número de 1000 médicos e 1800 enfermeiros. Temos 1142 ventiladores e a margem é ainda muito significativa. E estamos a adquirir: pagámos ontem 10 milhões de dólares por 500 ventiladores da China».
Só que, além de acusarem o primeiro-ministro de faltar à verdade, os profissionais de saúde ficaram particularmente descontentes porque têm de prestar diariamente cuidados sem os equipamentos de protecção individual necessários, segundo o “Expresso”.
Também ontem, no Parlamento, Costa aproveitou a ocasião para anunciar que estão encomendadas mais batas (mais de 380 mil), fatos de protecção (quase 550 mil), luvas esterilizadas (mais de seis milhões) e, entre outros materiais, máscaras cirúrgicas (mais de 17 mil). Assegurou também que o executivo está a encomendar material de proteçcão individual. Quanto aos ventiladores, revelou que está a ser criado, neste momento, um protótipo «a testar nas próximas semanas».
Mais tarde, admitiu: «Não digo que não tenha faltado algum bem». Contudo, fez notar que diariamente há «desagradáveis surpresas sobre o que vai acontecendo no fornecimento» de material. «Na noite de domingo para segunda-feira, às duas da manhã. o Estado português pagou 10 milhões de dólares para comprar 500 ventiladores e o prazo de entrega, daí para cá, tem vindo a evoluir bastante», assegurou, acrescentando: «Ou pagávamos a pronto ou não comprávamos porque estávamos em concorrência com outro país». Ainda assim, reafirmou que no Serviço Nacional de Saúde «não faltou nada de essencial para tratar os doentes».
Porém, ao que o jornal apurou, técnicos, enfermeiros e médicos do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) estão sem os equipamentos de protecção individual necessários quando prestam assistência à população. Várias equipas em todo o país receberam apenas duas toucas e seis máscaras de papel, que não garantem protecção adequada contra o novo coronavírus e em alguns hospitais estão já a surgir apelos para que as ambulâncias de emergência não saiam para prestar socorro aos doentes, acrescenta.
A Ordem dos Médicos apelou, nesta segunda-feira, a todas as entidades que disponham de equipamentos de protecção como máscaras, viseiras e luvas, desde fábricas a oficinas ligadas à indústria automóvel, que as cedam aos profissionais de saúde para colmatar os «problemas de stock» nos hospitais.
Também a Ordem dos Enfermeiros denunciou a falta de material para a defesa pessoal dos seus profissionais de saúde. No domingo, a bastonária do sector, Ana Rita Cavaco, disse mesmo que há enfermeiros a trabalhar com máscaras de mergulho. Os próprios lares sofrem com o mesmo problema.
O “Expresso” faz ainda notar os constrangimentos na Linha SNS24, com elevados tempos de espera e um grande número de chamadas que ficam por atender por falta de profissionais para o atendimento. O mesmo se passa na Linha de Apoio ao Médico.













