«Tenho-me dado muito bem com o primeiro-ministro nesta crise», começou por salientar o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações à “Antena 1”.
«Temo-nos dado muito bem, quer quando contactamos telefonicamente, quer quando temos as reuniões assim à distância apreciável de dois metros, dois metros e meio. Tem sido um relacionamento que mantém um bom tónus optimista mesmo nos momentos mais difíceis», disse.
Os dois chegam a falar várias vezes ao dia, como aconteceu esta segunda-feira, no seguimento da reunião de Marcelo com os os cinco presidentes-executivos da Caixa Geral de Depósitos, BCP, Novo Banco, Santander e BPI, com o objectivo de sensibilizá-los para a distribuição ágil das linhas de crédito de três mil milhões de euros com garantia do Estado.
Nesta terça-feira, o Presidente recebe o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, Fernando Faria de Oliveira, e o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.
Quando às máscaras, a grande questão mantém-se por responder. Marcelo admitiu que utiliza nas idas ao supermercado. Se deve ou não usar-se, apenas respondeu que «está em curso uma reflexão», dizendo que não quer «especular».
O Presidente revelou ainda que fez um dos novos testes sorológicos para detectar a presença de anticorpos para o novo coronavírus e não está imunizado. «Fiz há poucos dias um dos testes novos de imunidade, os chamados testes sorológicos. Não estou imunizado porque não tive nenhum contacto com nenhum portador de Covid-19, o que é uma ironia, porque se havia pessoa que contactava de próximo com os portugueses nas semanas anteriores era eu», contou.
Sobre o regresso à «normalidade», Marcelo não se comprometeu com uma data, reiterando apenas que Abril é um mês essencial para avaliar a evolução epidemiológica da Covid-19 e só com esses dados é que estarão em condições de avançar com uma «descompressão» das medidas. «Só depois de Abril [em que vigora o actual Estado de Emergência até dia 17] Até lá, não», vincou.
«Como em tudo na vida, também na saúde as recaídas são sempre piores do que as doenças iniciais» e, por isso, «temos de evitar», defendeu ainda.
O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infectou mais de 1,3 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 73 mil. Dos casos de infecção, cerca de 250 mil são considerados curados.
Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.
Portugal registou até hoje 311 mortes associadas à Covid-19 e 11.730 infectados, segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde.
*Notícia actualizada às 10:25




