Covid-19. Mais movimento nas ruas e trânsito: os portugueses começaram a «furar» o confinamento?

O Jardim da Estrela, em Lisboa, esteve esta quinta-feira, pelas 16 horas, estava mais cheio do que o habitual por estes dias.

Revista de Imprensa

Os registos de localização dos telemóveis dos portugueses revelam que, nos últimos sete dias, tem havido uma diminuição gradual do confinamento. Houve uma queda de 13%, segundo a consultora PSE, citada pelo “Observador”, que explica, no entanto, que é preciso «prudência na análise dos dados» nos próximos dias para se poder dizer se há ou não um relaxamento da população.

«Os portugueses foram extraordinariamente responsáveis na forma voluntária como acataram o confinamento e também o estão a ser no desconfinamento», disse o responsável pelo projecto.

Ainda assim, esta tendência é, de acordo com o jornal, reforçada pelos registos de mobilidade da Apple, que mostram um aumento nos movimentos dos portugueses a pé e de carro entre os dias 19 e 21 de Abril.

A PSE acrescenta que também houve um aumento, ainda que ligeiro, no trânsito e que os portugueses estão a fazer mais deslocações e mais longas. O último fim-de-semana foi aquele em que os portugueses mais saíram de casa durante o Estado de Emergência: «Há uma queda — embora não acentuada — do nível de confinamento, visível na última quinta, sexta, sábado, domingo, segunda, terça e quarta. Comparando os valores dos dias homólogos anteriores, concluímos que tem tido uma queda média de 13%».

Já esta quarta-feira registou um dos valores «mais baixos» de confinamento: 57% — percentagem igual à registada no primeiro dia de Estado de Emergência, 19 de Março. Estes valores são, mesmo assim, muito inferiores aos registados antes da pandemia, em que apenas 25% dos cidadãos ficava em casa. «São portugueses que normalmente têm menores necessidades de mobilidade ou mobilidade regular», explica Nuno Santos, um dos responsáveis pelo estudo..

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O Jardim da Estrela, em Lisboa, perto da residência oficial do primeiro-ministro, esteve esta quinta-feira, pelas 16 horas, estava mais cheio do que o habitual por estes dias. De acordo com o jornal, um dos dois agentes da Polícia de Segurança Pública que entretanto apareceram para tentar dispersar as pessoas disse que «estava mais gente esta quinta-feira do que estaria numa quinta-feira em que não estivéssemos nesta situação de pandemia». «Noutras alturas, a esta hora, as crianças estavam na escola e os pais estavam a trabalhar», justificou.

Diana Lima, de 30 anos, e Beatriz Nieves, de 26, contaram ao “Observador” que apenas ali estavam para ver um apartamento que estão interessadas em arrendar. Porém, garantem que não o teriam feito no primeiro período do estado de emergência. «Eu estou fechada há dois meses dentro de casa», disse Beatriz Nieves.

Portugal regista já 22.353 casos de infecção pelo novo coronavírus, mais 371 do que ontem, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde, divulgado nesta quinta-feira, que dá conta de 820 vítimas mortais (+35).

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O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias “France-Press”, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 190 mil mortos e infectou mais de 2,6 milhões de pessoas em 193 países e territórios, com mais de 708 mil doentes considerados curados.

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