São já mais de mil as assinaturas (1.237 às 10:20 desta segunda-feira) para pedir a suspensão do ano lectivo em todas as escolas do país.
Os autores da petição electrónica «Suspensão do Ano Lectivo para todos os Alunos e Escolas» sublinham que «estamos a viver uma situação social grave e excepcional, de saúde pública, com uma série de implicações para as famílias, tanto do ponto de vista financeiro, laboral e logístico, como do ponto de vista emocional, em que assistimos a um esforço constante de readaptação dos cidadãos a esta nova realidade. Não podemos pretender que a escola seja excepção, pelo que dar prioridade à continuidade dos conteúdos programáticos dos alunos em casa, como se fosse possível manter uma aparente normalidade e cumprir o 3.º período escolar neste contexto, é um adicionar inimaginável de pressão e de stress para as famílias».
«No âmbito do encerramento das escolas decorrente da situação epidemiológica provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 e da previsão de que o terceiro período poderá ser passado em casa, com recurso a metodologias de ensino à distância para dar continuidade aos processos de aprendizagem, as pessoas signatárias desta petição consideram que este ano lectivo deveria ficar suspenso até que as escolas possam retomar a sua actividade normal e que, em concordância, todos os exames e provas de aferição sejam adiados», pode ler-se.
Por outro lado, entendem que o ensino à distância «levará também a um acentuar das desigualdades sociais já existentes, prejudicando alunos com situações sócio-económicas mais frágeis, com menor aproveitamento ou com NEE [necessidades educativas especiais]» e que «subverte completamente o que se pretende da escola: que seja inclusiva e capaz de esbater desigualdades sociais». Há, por exemplo, «estudantes que não têm computador nem acesso à Internet em casa», enquanto «há professores que, estando também em situação de isolamento, têm eles próprios as suas famílias para cuidar, não estando nas condições necessárias para se dedicarem aos seus alunos da mesma forma com que o fazem nas escolas».
Sugerem, no entanto, que «se criem, mantenham e estimulem com regularidade canais de comunicação entre docentes, estudantes e as suas famílias, assim como entre os grupos de pares da escola», devendo «ser promovidas actividades e formas de interacção que façam com que os alunos e as famílias se sintam acompanhadas». «Alguns meses sem conteúdos programáticos não se reflectirão em nada num percurso de 12 anos de escolaridade. Já esses mesmos meses com famílias diariamente stressadas, pressionadas e em condições muito diversas umas das outras, irá certamente prejudicar gravemente e a longo prazo um sem número de crianças e jovens», acrescentam.
Na passada sexta-feira, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) veio defender que o «grave problema de saúde pública que se vive em Portugal, como em todo o mundo», provocado pelo novo coronavírus, «também na Educação tem implicações muito negativas». Daí que, para a Fenprof se deva encerrar os estabelecimentos de educação e ensino, «não só agora, como, previsivelmente, durante o 3.º período lectivo, eventualmente até final do ano».
«Provavelmente no dia 9 de Abril estaremos a decidir prolongar o fecho das escolas muito além das férias da Páscoa», admitiu o primeiro-ministro, durante o debate quinzenal de 24 de Março.
Recorde-se que o Governo decidiu antecipar as férias da Páscoa para quase dois milhões de alunos, no passado dia 12 de Março, do pré-escola ao ensino superior, devido à rápida propagação da Covid-19 no mundo. Na altura, o executivo anunciou que o terceiro período seria avaliado a 9 de Abril.
Se o calendário escolar seguisse normalmente, a interrupção da Páscoa aconteceria a 30 de Março, com as aulas a serem retomadas a 13 de Abril.














