Os efeitos a longo tempo da Covid-19, sobretudo para os pacientes que estiveram internados nos cuidados intensivos, requerem mais atenção, segundo revelou uma análise de 246 pacientes na Holanda, com idade média de 61 anos, mostrou que quase três quartos (74,3%) ainda apresentavam problemas físicos 12 meses depois da visita ao hospital, numa chamada de atenção para os riscos da Covid longa – ou seja, ter sintomas significativos causados pelo coronavírus muito tempo depois da doença inicial ter passado. Segundo apontaram diversos estudos, existem mais de 200 sintomas associados à condição e realçam a importância do acompanhamento a longo prazos dos efeitos da Covid-19.
“Este estudo apontou o impacto incrível que uma admissão nos cuidados intensivos tem na vida de ex-pacientes com a Covid-19″, relatou Marieke Zegers, pesquisadora do Radboud University Medical Center, na Holanda. “Mesmo após um ano, metade deles está cansado ou sente falta de energia para retomar totalmente o trabalho.”
A maioria das pessoas relatou problemas físicos, com 38,9% garantindo que ainda se sentiam fracas um ano após a infeção. Problemas de saúde mental foram mencionados por 26,2% dos participantes, enquanto 16,2% mencionaram problemas cognitivos, tais como problemas de memória ou atenção.
Os problemas físicos mencionados pelos participantes incluíram dor, fraqueza muscular e falta de ar. Quanto aos problemas mentais, sentimentos de ansiedade ou stress pós-traumático foram relatados por cerca de um em cada cinco.
Ainda não se sabe muito sobre os efeitos a longo prazo de um caso grave da Covid-19 – afinal, estamos há ‘apenas’ dois anos na pandemia – mas as evidências apontam, duma forma cada vez mais clara que para muitas pessoas há problemas contínuos que correspondem ao mesmo tipo de sintomas de curto prazo.
“Os sintomas pós-cuidados intensivos podem ser divididos nos domínios físico, mental e cognitivo e estão associados ao aumento da mortalidade ao final de um ano, assim como maiores custos de saúde e menor qualidade de vida”, relataram os investigadores no artigo publicado na revista ‘JAMA’.
A doença de longo prazo também tem efeitos indiretos além dos pacientes primários, abrangendo amigos e familiares que podem estar a cuidar daqueles que permanecem doentes em algum grau, bem como os respetivos empregadores. O estudo revelou que 57,8% dos entrevistados que trabalhavam antes de contrair a Covid-19 ainda estavam doentes ou a trabalhar de uma forma reduzida um ano depois.
Embora o estudo tenha algumas limitações – baseia-se em voluntários que relatam a sua própria condição e sintomas, em vez de qualquer diagnóstico clínico –, no entanto destacou que há motivos de preocupação. “A perceção dos resultados a longo prazo entre os pacientes com a Covid-19 que receberam tratamento em cuidados intensivos é importante para fornecer cuidados adequados e cuidados posteriores adaptados às necessidades clínicas desses pacientes”, finalizaram.





