Covid-19: Locais de vacinação nos EUA estão sem doses para administrar

Um número crescente de locais de vacinação contra a covid-19 nos EUA estão a cancelar consultas por falta de doses e o ‘mayor’ de Nova Iorque garantiu hoje que a cidade não tem vacinas disponíveis.

O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos já admitiu que não sabe exatamente quantas vacinas estão disponíveis, à medida que governadores e autarcas de diferentes regiões se queixam da falta de doses.

O Presidente Joe Biden disse, na segunda-feira, que espera que o país possa em breve aumentar para 1,5 milhões o número de doses de vacinas aplicadas diariamente, tentando atingir o seu objetivo de administrar 100 milhões de doses nos seus primeiros 100 dias de mandato.

Perante os protestos de dirigentes locais, a Casa Branca está a planear uma ligação telefónica com governadores, ainda hoje, para discutir o plano de vacinação, enquanto os conselheiros de Biden atiram as culpas das falhas para a ausência de programação por parte do anterior Governo de Donald Trump.

Hoje, o ‘mayor’ de Nova Iorque, Bill de Blasio, disse que a cidade está praticamente sem vacinas contra o novo coronavírus, tendo suspendido os planos de usar recintos desportivos para a sua aplicação em massa.

De Blasio disse que a cidade apenas dispõe de 7.700 doses de vacinas e pediu às autoridades federais para poder usar as doses reservadas para a segunda toma, mesmo sob o risco de os já vacinados com a primeira toma não a receberem atempadamente.

O autarca reconheceu que tem 100.000 doses reservadas para a segunda toma que quer começar a usar como primeiras tomas, para não atrasar o processo de imunização da população, mas reconhece o risco que corre com esta medida.

“Temos o compromisso de fazer com que todos recebam a segunda toma, mas a verdade é que estamos com uma enorme escassez de vacinas”, disse Bill de Blasio.

Rochelle Walensky, a nova diretora do CDC, disse estar perplexa com a situação que encontrou no seu departamento.

“Não consigo, sequer, dizer quantas vacinas temos”, admitiu Walensky, numa entrevista televisiva, atirando as culpas para o anterior Governo e para a completa ausência de dados fiáveis sobre o plano de vacinação.

Na segunda-feira, o governador da Florida, Ron DeSantis, disse que o seu estado já não está a conseguir dar resposta aos pedidos de vacinas.

“Estamos à mercê daquilo que o Governo federal nos envia. Mas não é suficiente”, disse DeSantis.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, respondeu dizendo que a Florida apenas administrou metade das vacinas que recebeu, mas admitiu que outros estados estão a pressionar o Governo para conseguirem mais doses, mais rapidamente.

Hoje, o CDC divulgou que pouco mais de metade das 41 milhões de doses distribuídas aos estados foram inoculadas, o que ajuda a explicar que os Estados Unidos estejam muito aquém das estimativas de vacinação para o final do mês de janeiro.

Ainda assim, os Estados Unidos são o quinto país do mundo em número de doses administradas, em relação à população, apenas atrás de Israel, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Bahrein, de acordo com dados da Universidade de Oxford.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.140.687 mortos resultantes de mais de 99,6 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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