Covid-19. Líderes das grandes empresas cortam milhares de empregos mas mantém bónus

Até agora, os principais executivos de muitas das grandes empresas dos EUA – incluindo alguns no epicentro da crise – mantiveram os seus pacotes de remuneração exorbitantes, ainda que também haja registo de alguns terem abdicado dos seus salários. E, mesmo com a taxa de desemprego a disparar e a economia norte-americana a mergulhar numa recessão profunda, não está posta de parte a hipótese de ainda receberem os bónus referentes a 2020, embora com valores aquém dos alcançados o ano passado, noticia a Bloomberg.

Naturalmente, a evolução desta matéria está diretamente ligada ao desempenho da economia, dos mercados financeiros e, finalmente, do próprio coronavírus. Porém, à medida que a pressão aumenta para os trabalhadores comuns, os salários dos executivos – uma questão fraturante numa era de desigualdade extraordinária – voltam a estar na ribalta.

De entre alguns exemplos, a Bloomberg aponta o da Tenet Healthcare Corp., na qual o CEO Ronald Rittenmeyer prometeu abrir mão do seu pagamento de três meses – aproximadamente 390 mil dólares – a favor de um fundo criado há já alguns anos para ajudar os funcionários que lutam para sobreviver em tempos de crise. Numa carta aos investidores, em abril, escreveu que a doação foi feita “em homenagem” aos 113 mil médicos, enfermeiros e outros profissionais da rede hospitalar, muitos dos quais trabalham na linha da frente na luta contra a covid-19.

Mas, mesmo depois do corte salarial, Rittenmeyer ainda receberá mais de um milhão de dólares em salários. Ao que acresce, pelo menos, um bónus de 875 mil euros, alguns prémios em ações no valor de 11,3 milhões de dólares até 2022 e um contrato que lhe dá direito a milhões de dólares a mais no futuro. Os valores totais de compensação ainda não foram finalizados para o ano atual, mas os 390 mil dólares a que Rittenmeyer está a renunciar representariam apenas 2% do que recebeu no ano passado.

Um dos maiores sindicatos dos EUA apressou-se a comentar esta situação, criticando os salários dos executivos da Tenet e afirmando que a doação de Rittenmeyer era pouco mais do que “um gesto”.

Segundo a Bloomberg, os líderes das empresas do S&P 500 recebem, em média, 1,3 milhões de dólares em salários, aproximadamente 20 vezes a média do rendimento familiar dos EUA, sendo que este valor representa apenas 10% de sua remuneração total. O restante vem de bónus e incentivos baseados em ações, normalmente vinculados a medidas como retornos de ações ou lucros. Esses pagamentos são ajustados ao cumprimento de metas pré estabelecidas.

Para muitos executivos das indústrias mais atingidas, significa que terão de se contentar com cerca de 1 milhão em vez de 10 milhões de dólares. Outros, porém, ainda têm hipóteses de conquistar pagamentos avultados, independentemente de cortes no salário base, se as ações recuperarem.

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