Covid-19 já estava na Europa semanas antes dos primeiros casos serem confirmados, aponta estudo

Cientistas de um hospital perto de Oslo identificaram um caso positivo de coronavírus, numa amostra de sangue de uma mulher grávida a 12 de dezembro de 2019, considerando que provavelmente foi infetada no final de novembro ou início de dezembro.

Simone Silva

Investigadores na Noruega dizem que o vírus da Covid-19 provavelmente já estava muito mais difundido na Europa e em todo o mundo, mesmo antes de serem confirmados os primeiros casos oficiais, avança o ‘Euronews’.

Cientistas do Hospital Universitário Akershus, perto de Oslo, identificaram um caso positivo de coronavírus, numa amostra de sangue de uma mulher grávida a 12 de dezembro de 2019, considerando que provavelmente foi infetada no final de novembro ou início de dezembro.

“As nossas descobertas mudam a história da epidemia de coronavírus na Noruega e no mundo”, disse Anne Eskild, professora e diretora clínica do Akershus.

Segundo a responsável, “quatro em 1.500 testes que fizemos em mulheres grávidas deram positivo antes do primeiro caso ser diagnosticado em França”, afirmou, citada pelo ‘Euronews’.

Um conjunto de casos semelhantes a uma pneumonia foi identificado em Wuhan, China, em dezembro de 2019 e, a 12 de janeiro de 2020, as autoridades chinesas partilharam a sequência genética do novo coronavírus que se espalha rapidamente.

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De acordo com o Eurosurveillance, o jornal europeu sobre vigilância, epidemiologia, prevenção e controlo de doenças infeciosas, os três primeiros casos europeus foram confirmados em França a 24 de janeiro de 2020, após apresentarem sintomas alguns dias antes.

Em maio de 2020, foi relatado que outro paciente francês, tratado por pneumonia no hospital a 27 de dezembro de 2019, testou positivo para COVID-19 depois de uma análise feita na altura.

Eskild sublinha que a sua pesquisa mostra que o vírus já existia muito antes desses casos. “A área de abrangência do nosso hospital inclui mulheres que vêm de todo o mundo. Acho que algumas das que deram positivo nasceram, estiveram, ou tiveram familiares  presentes em locais de todo o mundo”, explica.

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“A conclusão disto é que, como as mulheres na nossa área de captação são de todo o mundo, o vírus podia já estar na Europa e em todo o mundo, ainda antes de os chineses anunciarem a epidemia”, resume.

As descobertas foram publicadas na revista de epidemiologia e infeção da Cambridge University Press.

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