Covid-19: Itália pode forçar internamento a quem recusar tratamento para a Covid-19

O ministro da Saúde da Itália propôs forçar o internamento aos pacientes que recusem o tratamento hospitalar contra a Covid-19.

Simone Silva

O ministro da Saúde da Itália sugeriu forçar o internamento aos pacientes que recusem o tratamento hospitalar contra a Covid-19, numa altura em que o país enfrenta vários surtos do novo coronavírus, de acordo com o ‘The Guardian’.

Esta possível mudança para hospitalizações forçadas surge numa altura em que a região de Veneto registou um ressurgimento de infecções da Covid-19, desencadeado por um homem que desenvolveu sintomas depois de regressar de uma viagem de negócios à Sérvia e recusou tratamento hospitalar.

O homem de 64 anos está agora em estado grave, mas estável, no hospital. Para além deste cidadão, mais cinco pessoas testaram positivo para a doença viral e outras 89 foram colocadas em quarentena depois de o homem em questão ter marcado presença num funeral e numa festa de aniversário, com mais de 100 convidados.

«Estou a avaliar com o departamento jurídico a hipótese do internamento hospitalar obrigatório nos casos em que uma pessoa deve ser tratada, mas se recusa», disse Roberto Speranza, ministro da Saúde italiano. «Ao mesmo tempo, tenho uma visão positiva da forma como os italianos se comportaram durante esta crise, visto que sem esta harmonia fundamental, não teríamos conseguido achatar a curva» de infecção.

Speranza também alertou que as pessoas com Covid-19 que violarem as regras de isolamento, podem ser punidas com pena de prisão e que a medida de quarentena de 14 dias para pessoas que chegam a Itália, vindas de países fora do espaço Schengen deve ser respeitada.

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De acordo com a lei italiana, qualquer pessoa que espalhe negligentemente uma epidemia corre o risco de ser condenada a até 12 anos de prisão, enquanto que quem o fizer voluntariamente poderá enfrentar prisão perpétua.

Luca Zaia, presidente da região de Veneto, também apoiou a medida sugerida por Speranza e implementou multas de mil euros para pessoas que desrespeitam as regras de quarentena. O responsável referiu que até ao final de Julho os hospitais devem informar o Ministério Público sobre quem recusou a admissão após testes positivos.

O ‘Trattamento Sanitario Obbligatorio’ (tratamento médico obrigatório) em Itália é geralmente aplicado apenas em casos de saúde mental, mas pode ser também aplicado àqueles com uma doença infecciosa.

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Segundo o ‘Corriere della Sera’ ”a medida já tinha sido aplicada contra uma mulher idosa de Monza, na Lombardia, a região mais afectada pelo vírus, que no início de Março recusou atendimento hospitalar apesar de apresentar sintomas graves da doença.

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