Covid-19: Investigadores têm provas «inequívocas» de que o vírus se propaga pelo ar. Distanciamento é menos eficaz do que o esperado, alertam

Os investigadores conseguiram isolar o vírus «vivo» em aerossóis recolhidos de pacientes hospitalizados com Covid-19, a uma distância de dois a cinco metros, superior à distância considerada segura pela própria OMS.

Simone Silva

Uma equipa de investigadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, descobriu que o vírus se propaga pelo ar de forma «inequívoca», através de gotículas respiratórias, conhecidas por aerossóis e alerta para o facto de as restrições de distanciamento serem menos eficazes do que o esperado, segundo o ‘New York Times’.

«É sobre isto que as pessoas têm falado», afirma Linsey Marr, especialista em propagação de vírus através do ar, mas que não esteve envolvida no estudo. «Temos evidências inequívocas de que existem cargas virais infecciosas nos aerossóis», acrescentou.

Os investigadores conseguiram isolar o vírus «vivo» em aerossóis recolhidos de pacientes hospitalizados com Covid-19, a uma distância de dois a cinco metros, superior à distância considerada segura pela própria Organização Mundial de Saúde (OMS), de apenas dois metros. Isto faz com que a comunidade cientifica considere que as directrizes actualmente em vigor «são insuficientes e estão a dar uma falsa sensação de segurança».

As descobertas, publicadas online na plataforma medRxiv, ainda não passaram pelo processo de revisão de pares, mas já causaram uma grande reacção nos especialistas. «Se isto não é uma arma fumegante, então eu não sei o que é», afirmou Marr.

Os especialistas envolvidos na pesquisa afirmam: «As implicações na Saúde Pública são muitas e alargadas, especialmente uma vez que as actuais melhores práticas de prevenção da transmissão da Covid-19 centram-se precisamente no distanciamento físico, uso de máscaras e viseiras em proximidade com outros e lavagem de mãos».

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Este tema ainda não tinha conseguido o consenso por parte dos investigadores, visto que a carga viral já tinha sido identificada em aerossóis, mas os cientistas ainda não tinham conseguido isolar o vírus no seu estado «vivo», tal como aconteceu neste estudo.

De recordar que a OMS alterou a sua posição relativamente à transmissão por via aérea, no mês passado, visto que inicialmente considerava que este tipo de transmissão era pouco provável. Agora, o organismo indica que «a transmissão por aerossóis e baixa distância, particularmente em espaços fechados, com muita gente e sem ventilação adequada, durante um longo período de tempo com pessoas infectadas, não pode ser descartada».

 

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