Covid-19 interrompeu planos de vacinação e há 80 milhões de crianças em risco

Pelo menos 80 milhões de crianças com menos de um ano de idade podem estar em risco de contrair várias doenças, nomeadamente sarampo e poliomielite, uma vez que a pandemia da Covid-19 interrompeu os planos de vacinação em todo o mundo, de acordo com dados divulgados num relatório, elaborado por especialistas de saúde globais esta sexta-feira e citados pela ‘CNBC’.

Dos 129 países que relataram dados à Organização Mundial da Saúde (OMS), UNICEF, e outras instituições, 53% indicaram que os serviços de vacinação infantil foram moderadamente a severamente interrompidos ou foram totalmente suspensos de Março a Abril deste ano.

«A interrupção dos programas de vacinação devido à pandemia do novo coronavírus ameaça desfazer décadas de progresso contra doenças que podem ser prevenidas através de uma vacina, como é o caso do sarampo», disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, director geral da OMS, no relatório.

Os motivos pelos quais os serviços de vacinas foram interrompidos são vários. Alguns pais têm receio de sair de casa devido às restrições de movimento, falta de informação ou porque temem a infecção pela Covid-19, segundo o relatório.

Muitos profissionais de saúde não estão disponíveis devido a restrições nas viagens ou porque estão ocupados com a pandemia. A UNICEF informou que as entregas planeadas de vacinas foram adiadas devido a medidas globais de bloqueio, à diminuição dos voos comerciais e à disponibilidade limitada de transporte dos fármacos.

Muitos países também suspenderam campanhas de vacinação destinadas a prevenir outras doenças como cólera, sarampo, meningite, poliomielite, tétano, febre tifóide e febre amarela, devido ao risco de transmissão da Covid-19, segundo declarações de autoridades globais de saúde, presentes no relatório.

As campanhas de vacinação em massa contra a poliomielite e o sarampo foram as mais afectadas, com campanhas de sarampo suspensas em 27 países e campanhas de poliomielite suspensas em 38 países.

Estas conclusões dos líderes mundiais de saúde surgem depois de o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA ter divulgado que as vacinas de rotina para crianças em todo o país caíram na primeira metade do ano, numa altura em que as famílias foram obrigadas a ficar em casa devido à pandemia do novo coronavírus.

Na cidade de Nova Iorque, o presidente Bill de Blasio, disse na quarta-feira que o número de doses administradas de vacinas diminuiu 63% para todas as crianças da cidade em relação ao ano anterior. Para crianças acima de 2 anos, o número de doses caiu 91%, o que considerou «chocante». «Este é um trabalho essencial, vacinar o seu filho é essencial. Vacinar o seu filho é um motivo para sair de casa», disse de Blasio.

Em Portugal também já foram vários os apelos da Direcção Geral da Saúde (DGS), para que a vacinação não seja descurada. A directora geral da saúde, Graça Freitas, tem pedido aos pais, nas várias conferências de imprensa diária que não tenham receio da pandemia e não deixem de vacinar os seus filhos.

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