O mundo está mais uma vez em alerta depois de uma nova variante de Covid-19, com “dupla mutação” ter sido detetada na Índia, numa altura em que as infeções aumentam em todo o país, segundo o ‘Express’.
O Consórcio SARS-CoV-2 em Genómica (INSACOG) na Índia, que envolve um conjunto de 10 laboratórios nacionais sob alçada do Ministério da Saúde do país, realizou o sequenciamento genómico de amostras do vírus.
Das 10.787 amostras recolhidas, 736 foram positivas para a variante do Reino Unido, 34 para a variante sul-africana e uma para a variante brasileira. O governo indiano disse que a análise das amostras do estado ocidental de Maharashtra mostra “um aumento na fração das mutações E484Q e L452R” em comparação com dezembro.
“Estas duplas mutações conferem um escape imunológico e aumentam a capacidade de infeção”, adiantou o ministério da saúde indiano em comunicado, citado pelo jornal.
A Índia luta agora contra um novo aumento de casos de coronavírus. Na quarta-feira, o país registou 47.262 casos e 275 mortes – o maior pico diário deste ano. Contudo, o governo indiano sublinhou que não há ligação entre o recente aumento de casos de Covid-19 e as variantes que foram detetadas.
“Embora as VOCs [variantes preocupantes] e uma nova variante com dupla mutação tenham sido detetadas na Índia, não foram identificadas em número suficiente para estabelecer uma relação direta ou explicar o rápido aumento de casos em alguns estados”, acrescentou o ministério da saúde.
As novas descobertas surgem numa altura em que o governo indiano está sob pressão por parte de vários especialistas para aumentar os esforços de sequenciamento do genoma. O virologista Shahid Jameel, disse à BBC no início deste mês: “Precisamos de monitorizar constantemente e garantir que nenhuma das variantes preocupantes está a espalhar-se pela população”.
“O fato de não estar a acontecer agora não significa que não acontecerá no futuro”, disse o especialista. “E temos que ter a certeza de que conseguimos apurar as evidências com antecedência suficiente”, acrescentou ainda.
A Índia tornou-se num dos primeiros países a sequenciar o genoma do novo coronavírus após isolá-lo de alguns dos primeiros casos registados no país há mais de um ano. Mas desde então, contabilizaram-se 11,7 milhões de casos e 160 mil mortes por Covid-19.
O último pico de infeção surgiu durante um período que alguns especialistas alertaram ser uma “fase delicada” para a Índia, com o sistema de saúde já dominado pela intensa batalha contra a pandemia. O governo indiano respondeu com o reforço algumas restrições, como o recolher obrigatório e alguns bloqueios.














