Devido à pandemia, a Hungria fechou as fronteiras a quase toda a gente, mesmo aos seus vizinhos europeus, a não ser que já tenham tido covid-19. Esta política, que entrou em vigor no início de setembro, abre as portas aos visitantes que possam provar que já recuperaram do novo coronavírus, através de um teste tanto positivo ou negativo.
A Islândia tem planos para pôr em vigor uma política semelhante a partir da próxima semana – e já dá aos cidadãos que foram anteriormente infetados permissão para ignorar o uso de máscara no país. Os peritos chamam a este tipo de políticas uma espécie de “passaporte de imunidade”.
No entanto, não é ainda sabido se derrotar o vírus dá realmente imunidade, apesar de as evidências científicas até agora sugerirem que, para a maioria das pessoas, dá, tendo em conta o reduzido número de reinfeções detetadas até agora em todo o mundo.
“É teoricamente possível que algumas pessoas, mesmo que tenham anticorpos, não estejam protegidas”, disse à CNN uma investigadora na Escola de Medicina Icahn do Hospital Mount Sinai, em Nova Iorque, Ania Wajnberg.
“Mas penso que a maioria das pessoas que testam positivo para anticorpos serão protegidas durante algum tempo”, ressalvou. Neste sentido, o risco de poder ser reinfectado ou infectar outras pessoas é baixo, considera.
O “passaporte de imunidade” pode ser uma “forma razoável de começar a reabrir a sociedade e permitir viagens e negócios”, disse ainda a investigadora.
O epidemiologista-chefe da Islândia, Thorolfur Gudnason, chegou à mesma conclusão com base em dados do próprio país e em estudos externos. “Acho que é muito seguro, apesar de tudo o que fazermos ter incertezas”, disse à CNN.
Os testes e a isenção de quarentena começam a 10 de dezembro na Islândia. Os visitantes deverão apresentar um teste à covid-19 feito nas últimas duas semanas anteriores à viagem, para poder estar ao abrigo da nova política do país, semelhante à da Hungria.
Na fase inicial da pandemia, em abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselhou passaportes de imunidade. “Atualmente não há evidências de que as pessoas que se recuperaram da covid-19 e têm anticorpos estão protegidas de uma segunda infeção”, afirmou.













