A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) anunciou que já solicitou ao Governo a criação de instrumentos financeiros de apoio às empresas e seus trabalhadores, para quando se verificarem quebras significativas na actividade. «Parece inevitável, atendendo aos dados que já detemos», afirmou.
Em comunicado, a AHRESP disse que pretende «sensibilizar a secretaria de Estado do Turismo e todo o Governo para a necessidade de se começar a trabalhar em medidas específicas para as empresas do Alojamento e da Restauração, que se deparam já com os efeitos do coronavírus»
Apesar de não se conhecerem casos confirmados em Portugal, «as empresas do alojamento turístico e da restauração e bebidas começam já a dar os primeiros sinais provocados pelo novo coronavírus, com registo de contracção e mesmo cancelamento de reservas já efectuadas, o que exige que se antecipem medidas específicas de apoio a estas actividades, nomeadamente ao nível financeiro, por forma a se acautelar e minimizar impactos negativos na actividade turística de 2020».
«Acresce que esta situação se acentua numa época em que as empresas já iniciaram o reforço de contratação de mão-de-obra, bem como realizaram investimentos de requalificação e melhoramento das suas unidades para o período da Páscoa que se avizinha, mas também para a época alta do Verão, procura essa que se pode não registar», sublinhou a associação liderada por Mário Pereira Gonçalves, acrescentando que «não podemos esquecer que Portugal está na rota de muitos itinerários que incluem vários países europeus, levando a que muitos turistas, por receio, mesmo que infundado, tenham vindo a cancelar as suas viagens, com óbvios prejuízos para as empresas e para a economia em geral».
A AHRESP garante que continuará a trabalhar com o Governo e «a promover, junto das empresas, uma desejável serenidade e a divulgação de todas as informações e orientações da Direção-Geral da Saúde, com quem reunirá em breve, e da Organização Mundial da Saúde».
O Covid-19, detectado em Dezembro na China, em Wuhan, já provocou pelo menos 2.858 mortos e infectou mais de 83 mil pessoas. Do total de infectados, mais de 36 mil recuperaram.
Além de 2.788 mortos na China, onde o surto teve início no final do ano passado, há registo mortes no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, Filipinas, França, Hong Kong e Taiwan.
O único caso conhecido de um português infectado é o de um tripulante de navio de cruzeiros Diamond Princess, internado num hospital da cidade japonesa de Okazaki desde 25 de Fevereiro.
A Organização Mundial da Saúde declarou o surto do Covid-19 como uma emergência de saúde pública de âmbito internacional e alertou para uma eventual pandemia, após um aumento súbito de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão nos últimos dias.













