O foco da população, este outono/inverno, deve estar na “vacinação de reforço”, nos “comportamentos individuais” e na adequação da ventilação dos espaços, isto se pretender “chegar a uma fase de normalização e convívio com a Covid-19”, apontou, ao ‘Diário de Notícias’, a pneumologista Raquel Duarte, que liderou as equipas que realizaram propostas de desconfinamento ao Governo nos últimos dois anos – destas três áreas vai depender a forma como decorre o próximo outono/inverno que também “vai ter Covid-19, gripe e outras infeções respiratórias, porque os vírus não desaparecem, internamentos hospitalares e mortalidade”, frisou.
A 30 de setembro termina o estado de alerta do país em relação à Covid-19 e há dúvidas que será prolongado – será discutido na próxima reunião de Conselho de Ministros. Mas, neste momento, “ninguém pensa nas medidas de travão extremas que foram usadas no passado, mas há coisas que têm de ficar e que não podemos esquecer, como o uso de máscara e os espaços fechados arejados”. Por exemplo, “se tivermos sintomas ou se estivemos em contacto com um doente, temos de nos abster de fazer socialização. Não devemos ir para os locais de trabalho ou outros sem máscara”, recomendou a especialista.
Em relação aos últimos dois anos, há duas lições a retirar para 2022: “A primeira é o evidente benefício da vacinação, que nos consegue proteger das formas graves da doença e reduzir a mortalidade. E a segunda é o comportamento cívico, as tais medidas não farmacológicas que foram eficazes na mitigação da transmissão do vírus”, frisou, reconhecendo no entanto “alguma apreensão” devido à baixa adesão registada na população mais idosa para o reforço sazonal da vacina. “Temos de continuar a ter a perceção do risco. Isto é que não podemos perder, quer do risco individual, em termos do contexto em que está cada pessoa e no sentido de nos protegermos, como em relação à perceção do risco para protegermos os outros.”
Além do uso de máscara em espaços fechados, a pneumologista garantiu que a ventilação adequada tem de ser tida em conta na forma como podemos mitigar a doença. “É preciso começar a assegurar que os espaços interiores são seguros do ponto de vista da qualidade do ar, o que passa pela ventilação adequada, para mitigar o risco da Covid-19 neste outono-inverno”.
Segundo o último boletim da DGS sobre a avaliação epidemiológica da Covid-19, entre 13 a 19 de setembro já se registou um ligeiro aumento de infeções, mais 2.049 do que na semana anterior, perfazendo um total de 18.315, embora se tenha registado o mesmo número de mortes, 37. Em relação aos internamentos, o boletim revela que, naquele período, estavam internadas menos 24 pessoas.





