O governo de Donald Trump celebrou um contrato de 55 milhões de dólares para aquisição de máscaras N95 a uma empresa sem experiência na produção de equipamentos médicos, a Panthera Worldwide LLC, detida por um grupo que declarou falência, o ano passado, noticia o Washington Post.
A empresa-mãe da Panthera, em falência, entrou com um pedido de proteção no último outono, e um de seus proprietários afirmou qe não tinha funcionários desde maio de 2018.
Já a Panthera, que se descreve como uma empresa de treino tático para as forças armadas dos EUA e outras agências governamentais, não tem registo de produção de produtos ou equipamentos médicos.
No site da empresa é possível ler que “fornece treino e instrução de elite em termos táticos, de aviação e inteligência, para as equipas do Departamento de Defesa, Departamento de Estado, Agência Federal e Polícia que operam em ambientes sensíveis em todo o mundo,visando permitir que essas equipas cumpram os requisitos e objetivos de uma missão”.
James V. Punelli, um dos executivos da Panthera, disse ao The Post que a empresa está a trabalhar junto dos seus contactos militares para obter máscaras.
“Fizemos treino médico [do Departamento de Defesa] ao longo dos anos e através desses contactos com essa comunidade foram trazidas fontes de fornecimento para ajudar na resposta à covid-19”, disse Punelli.
“Forneceremos estas máscaras antes do dia 1 de maio, com certeza, na íntegra e com um produto de alta qualidade”, disse Punelli, acrescentando que a empresa está registada como uma LLC em Delaware.
O Post informou que a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) estava a pagar à Panthera cerca de 5,50 dólares por máscara, decididamente mais do que o governo paga às empresas com experiência confirmada na produção de material médico, como a 3M, que cobra cerca de 0,63 dólares por máscara.
“Como em qualquer contrato, a FEMA está obrigada por lei a seguir os requisitos e processos da Aquisição Federal. Por esses requisitos e processos da Aquisição Federal, o Oficial Contratante conduziu uma determinação de responsabilidade do contratado. O Sistema de Informações sobre Desempenho e Integridade do Premiado Federal (FAPIIS) foi examinado e A Panthera atendeu aos requisitos necessários. A empresa não apareceu no Sistema de Lista de Partes Excluídas (EPLS)”, disse a FEMA, acrescentando que a investigação à Panthera “não detetou nenhum imposto federal em atraso (de mais de 3.500 dólares) nos últimos três anos “.
“A FEMA não celebra contratos a menos que tenha motivos para acreditar que serão executados com sucesso. A investigação necessária levou-nos a concluir que a Panthera seria capaz de cumprir o contrato”, afirmou o representante da entidade. “Como em qualquer contrato, se a empresa não puder entregar ou entregar produtos abaixo do padrão, a agência pode usar meios legais contra a empresa”, reforçou.
O representante disse ainda que o equipamento solicitado ainda não havia chegado, mas que a Panthera confirmou, por escrito, que as máscaras estavam já a caminho e vão cumprir a data prevista de entrega, 23 de abril.







