A implosão da variante Ómicron pelo continente europeu e a época festiva potenciou uma corrida aos testes antigénios, o que provocou longas filas nas farmácias. Os testes são uma alternativa mais barata e rápida do que os testes PCR embora deva observar-se que a confiabilidade não é a mesma em todos os casos. Para começar, a União Europeia (UE) recomenda apenas o uso de testes com especificidade mínima de 97% e sensibilidade de 90%.
A especificidade é a capacidade de um produto em reconhecer a ausência de um marcador específico associado a uma doença (por exemplo, uma proteína SARS-CoV-2), ou seja, estabelece a taxa de verdadeiros negativos apresentados no teste; já a sensibilidade indica a capacidade do produto em detetar a presença do referido marcador, ou seja, mede a percentagem de verdadeiros positivos. Se a especificidade for baixa, haverá muitos falsos positivos, ao passo que se a sensibilidade foi baixa, haverá muitos falsos negativos.
A escolha dos modelos no mercado é uma decisão dos cidadãos. Mas há que tomar atenção, nem todos os testes dão o mesmo resultado. Na Alemanha, foi conduzido um estudo no qual comparou 122 testes antigénios. Cientistas do Paul-Ehrlich-Institute em Hessen usaram um painel comum de amostras de pessoas infetadas com a Covid-19. Através de um teste PCR, quantificaram a concentração do vírus em cada um dos sujeitos, dividindo-os em três grupos com base na carga viral, indicada pelo ciclo de quantificação (Cq): Cq ≤25 (nível muito alto de carga viral), Cq> 25 – <30 (nível alto de carga viral) e Cq ≥ 30 (nível moderado de carga viral). Do total de testes de diagnóstico analisados, 96 (79%) tiveram uma sensibilidade superior a 75% para membros do painel com cargas virais muito altas e 26 testes (21%) não atenderam aos critérios mínimos de sensibilidade exigidos. Dos 96 testes que atenderam ao limite de sensibilidade, 58 (60%) detetaram todos os infetados com cargas virais muito altas e outros 17 apresentaram sensibilidade acima de 90%. Além disso, houve 20 testes que mostraram uma taxa de deteção de mais de 75% em pessoas com carga viral elevada. Em Portugal, no site do Infarmed, pode-se consultar a lista de testes rápidos de antigénio disponíveis no mercado português e encontram-se disponíveis alguns dos 'melhores alunos' do estudo realizado na Alemanha. A saber: SARS-CoV-2 Ag Diagnostic Test Kit (Colloidal Gold) – Shenzhen Watmind Medical Co., Ltd. (que apresentou 100% em pessoas com carga viral muito alta, até 85,7% em pacientes com carga viral elevada e 82% naqueles com carga viral moderada)
Cartão de teste QuickProfile Covid-19 Antigen – LumiQuick Diagnostics, Inc. (100% muito alta, 91,3% elevada e 80% moderada)
Teste rápido AMP SARS-CoV-2 – Ameda Labordiagnostik GmbH 100% muito alta, 78,3% elevada e 70% moderada)
BIOSYNEX COVID-19 Ag BSS – BIOSYNEX SWISS SA (100,0% muito alta, 78,3% elevada e 74% moderada)



