Covid-19: Falta de vacinas da AstraZeneca na UE deve-se a problemas de produção, mostram documentos

Enquanto um subcontratado belga que produzia a “substância medicamentosa” cumpria o seu contrato com a AstraZeneca, uma outra fábrica na Holanda não estava produzir o suficiente para ser incluída no pedido da empresa, para aprovação dos reguladores europeus.

Simone Silva

A escassez de vacinas Oxford/AstraZeneca na União Europeia (UE) nos últimos meses deve-se simplesmente a dificuldades na produção, não havendo fármacos suficientes para cumprir os objetivos propostos, segundo documentos do bloco a que o ‘Político’ teve acesso.

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A documentação em causa mostra que enquanto um subcontratado belga que produzia a “substância medicamentosa” cumpria o seu contrato com a AstraZeneca, uma outra fábrica na Holanda não estava produzir o suficiente para ser incluída no pedido da empresa, para aprovação dos reguladores europeus no final de dezembro.

Com tão pouca substância medicamentosa proveniente da UE, a AstraZeneca teve de recorrer à sua fábrica nos Estados Unidos em Maryland para compensar a diferença, adianta o mesmo jornal.

“A quantidade mais importante” do fármaco veio da fábrica norte-americana, ainda antes de ser colocada em frascos em Itália, num processo conhecido como “encher e terminar”, revelam os documentos, detalhando inspeções em janeiro e no início de fevereiro em três fábricas da AstraZeneca na Bélgica, Itália e Holanda, que produziram vacinas para a UE.

Os documentos não especificam a quantidade exata de substância medicamentosa proveniente dos EUA, contudo, um funcionário da UE afirmou ser mais da metade do que compunha o stock de vacina Oxford/AstraZeneca na UE, na altura.

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Também não se sabe quantos carregamentos chegaram dos Estados Unidos desde o início de fevereiro. No entanto, é possível observar que o país tem desempenhado um papel muito mais significativo no fornecimento de vacinas da UE do que se pensava anteriormente.

À luz do papel da fábrica de Maryland, os documentos esclarecem por que motivo Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, adotou uma abordagem mais branda para com os EUA quando a UE ameaçou cortar as exportações de vacinas para países que não as enviaram em troca.

Os documentos também confirmam que a relação entre a UE e o Reino Unido não tem sido recíproca: “Nenhuma” substância medicamentosa “foi recebida” pela UE vinda do Reino Unido, que possui três fábricas da AstraZeneca.

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