Covid-19: Faixas etárias diferentes podem receber tipos de vacinas distintos, afirmam especialistas

Os pacientes de diferentes faixas podem ter de receber diferentes tipos de vacina. As declarações, de um grupo de especialistas consultados pelo ‘The Guardian’, surgem na sequência dos resultados do estudo da AstraZeneca, que revelou recentemente uma eficácia que pode ir até 90%, mas não para todos.

Verificou-se que o grupo que recebeu a dose baixa da vacina em questão não incluiu nenhum participante com mais de 55 anos, o que significa que não está claro se a eficácia de 90% se aplica a adultos mais velhos, que estão em maior risco.

Esta questão levou a AstraZeneca a anunciar um novo ensaio global que utiliza o regime de dose mais baixa, embora não se espere que isso afete o cronograma para aprovação regulatória e lançamento da vacina no Reino Unido e na Europa.

Em declarações à BBC, David Salisbury, ex-diretor de imunização do Departamento de Saúde do Reino Unido, disse que estes testes adicionais eram importantes. «Se esta vacina chegasse a realmente 90% e fosse uma vacina mais barata e exigisse uma cadeia de frio muito menos rigorosa do que as vacinas de RNA [da Moderna e Pfizer / BioNTech], então seria um ótimo resultado», afirmou.

«Mas se esta atinge apenas 62% e as outras vacinas chegam aos 90%, então acho que temos que pensar com muito cuidado, o que faremos com doses de 100 milhões de um produto que não protege tão bem como as alternativas», alertou.

Helen Fletcher, professora de imunologia da London School of Hygiene & Tropical Medicine, disse ao ‘The Guardian’ que era provável que a AstraZeneca e a Universidade de Oxford procurassem uma licença para o regime de dose completa, que protege 62% das pessoas do desenvolvimento de Covid-19..

«O conjunto de dados para o regime de dose mais baixa pode não ser grande o suficiente para o licenciamento, então faz sentido fazer outro ensaio com a dose mais baixa – incluindo pessoas mais velhas – e procurar uma emenda para o uso desta dose quando tiverem dados suficientes».

Contudo, Fletcher concordou que faz sentido analisar todas as vacinas disponíveis quando se trata de um programa de imunização. «Com várias vacinas disponíveis, acho que é certo que os legisladores pensem sobre quais podem funcionar melhor em que populações», disse

«Isto não é incomum: administramos três tipos diferentes de vacina contra a gripe no Reino Unido para crianças, jovens e idosos, pois sabemos que diferentes plataformas de vacinas funcionam melhor em diferentes grupos etários» explicou.

Penny Ward, professora de medicina farmacêutica no King’s College London, disse: «Eu pessoalmente vejo esta vacina [Oxford / AstraZeneca] (e as outras) como sendo a vacinação contra a gripe – ou seja, não protegem da infeção, mas podem reduzir a gravidade da doença e, mais importante, o risco de complicações graves e morte».

«É relevante notar aqui que a vacinação contra a gripe é 50-60% eficaz na maioria das faixas etárias, no entanto, reduz a gravidade da doença e a necessidade de hospitalização na população vacinada com mais idade», acrescentou.

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