Covid-19. Europa muda posição sobre máscaras: assintomáticos também têm de usar

O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças emitiu um novo relatório reforçando que as máscaras devem ser vistas como uma medida complementar.

Sónia Bexiga

O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) divulgou, esta quarta-feira, um novo relatório que altera suas recomendações sobre o uso de máscaras para combater o coronavírus.

Até agora, ele os aconselhava apenas aos profissionais de saúde e pacientes com sintomas, mas, como as pessoas assintomáticas também podem transmitir a doença, reconhece que as máscaras podem ser úteis para toda a população.

A recomendação não é conclusiva e deixa alguns ângulos em aberto. O relatório enfatiza que o uso de máscaras pelos profissionais de saúde deve ter prioridade sobre o uso na comunidade. “O uso comunitário de máscaras faciais pode ser considerado, principalmente quando se visita espaços fechados e ocupados, como supermercados, centros comerciais, transportes públicos etc.”, acrescenta o ECDC.

Os especialistas do ECDC alertam que o uso da máscara deve ser vista apenas como proteção suplementar e não como substituto de medidas preventivas estabelecidas, nomeadamente, o distanciamento físico, higiene meticulosa das mãos e evitar tocar no rosto, nariz, olhos e boca.

Para os especialistas, o uso adequado da máscara “é essencial para a eficácia da medida, a qual deverá ser aperfeiçoada por meio de campanhas educacionais”.

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Antes do ECDC se ter pronunciado, Organização Mundial da Saúde (OMS), na passada segunda-feira, publicou um novo documento sobre a recomendação para o uso de máscaras. Os seus especialistas são ainda mais cautelosos ao aconselhar sua generalização.

Embora reconheçam que pode ser útil para evitar a covid-19, esclarecem que “não são recomendadas por evidências científicas” e enfatizam que as médicas devem ser priorizadas pelos profissionais de saúde (tal como o faz o ECDC).

A OMS recomenda que os países, se decidirem dar conselhos sobre o seu uso à comunidade, o façam acompanhados de uma boa pedagogia sobre como usá-las, pois o contrário pode até ser contraproducente. “A OMS atualizará as suas orientações quando novas evidências estiverem disponíveis”, conclui o relatório.

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