Covid-19: Estudos confirmam que quase metade dos infetados não apresentam sintomas

Os estudos epidemiológicos estão agora a revelar que o número de indivíduos que podem transmitir a infecção, embora permaneçam completamente assintomáticos, é maior do que se pensava inicialmente.

Executive Digest

Os estudos epidemiológicos estão agora a revelar que o número de indivíduos que podem transmitir a infecção, embora permaneçam completamente assintomáticos, é maior do que se pensava inicialmente. Os cientistas acreditam que essas pessoas contribuíram para a disseminação do vírus em lares, por exemplo, e são centrais no debate sobre políticas de máscaras faciais, já que as autoridades de saúde tentam evitar novas ondas de infecções enquanto as sociedades reabrem.

De acordo com os especialistas, todas as infecções bacterianas, virais e parasitárias – que vão da malária ao HIV – têm uma certa proporção de portadores assintomáticos. Os estudos mostram até que, em qualquer momento, todos nós estamos infectados com oito a 12 vírus, sem apresentar nenhum sintoma.

Da perspectiva do micróbio, faz todo o sentido evolutivo. “Para qualquer vírus ou bactéria, tornar as pessoas infecciosas, mas não doentes, é uma excelente maneira de se espalhar e persistir nas populações”, diz Rein Houben, investigador de doenças infecciosas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.

No entanto, quando o Covid-19 foi identificado no início do ano, a maioria das autoridades de saúde públicas a nível mundial não conseguiram explicar a ameaça representada pela transmissão assintomática. Isto porque estavam a trabalhar em modelos baseados na gripe, onde algumas estimativas sugerem que apenas 5% das pessoas infectadas são assintomáticas. Como resultado, os regimes de testes de diagnóstico, necessários para captar casos assintomáticos de Covid-19, já entraram em circulação tarde demais.

“Eu avisei a 24 de janeiro que os casos assintomáticos deviam ser considerados um veículo de transmissão para o Covid-19, mas fui ignorado na época”, diz Bill Keevil, professor de saúde ambiental da Universidade de Southampton. “Desde então, muitos países relataram casos assintomáticos, nunca mostrando sintomas óbvios”.

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O primeiro caso identificado de transmissão assintomática do Covid-19 ocorreu no início de janeiro, quando um viajante de Wuhan transmitiu o vírus a cinco familiares em diferentes partes da cidade de Anyang. Após o teste positivo, a pessoa permaneceu assintomática por um período de 21 dias.

Desde essa altura que os cientistas tentam identificar quantos casos assintomáticos existem no mundo, com resultados variados. Um estudo na cidade italiana de Vo mostrou que 43% dos casos de Covid-19 eram assintomáticos. Já os relatórios iniciais do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA investigaram a propagação da Covid-19 no porta-aviões Theodore Roosevelt em Março e concluíram que 58% dos casos eram assintomáticos. Cerca de 48% dos 1.046 casos de Covid-19 no porta-aviões Charles de Gaulle também provaram ser assintomáticos, enquanto que das 712 pessoas que testaram positivo para Covid-19 no navio Diamond Princess, 46% não apresentaram sintomas.

“Quase todas as evidências parecem apontar para uma proporção de infecções assintomáticas em torno de 40%”, diz Houben. “A proporção também é altamente variável com a idade. Quase todas as crianças infectadas parecem permanecer assintomáticas, enquanto o inverso parece valer para os idosos”.

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Houben ressalva que, como a maioria das pessoas assintomáticas não faz ideia de que está infectada, é improvável que se auto-isolem e os estudos mostram que essa medida contribuiu para a disseminação do vírus em instalações como abrigos e lares. O especialista diz que, por isso, é necessário realizar testes diagnósticos regulares em pessoas que permaneçam em ambientes fechados, incluindo prisões e instalações psiquiátricas.

“Quando se trata de controlar o Covid-19, não podemos confiar apenas no auto-isolamento de casos sintomáticos”, diz. “Para avançar, precisamos de abordagens de rastreamento e testagem para dar conta de indivíduos que não apresentam nenhum sintoma.”

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