Apesar de serem já várias as vacinas para a Covid-19 em fase de ensaios clínicos, uma estirpe do novo coronavírus encontrada na Índia que contém uma mutação genética que pode adiar o seu desenvolvimento.
Segundo a “Sábado”, o Conselho de Investigação Médica indiano explicou, ainda assim, que a mutação, observada por por investigadores da Austrália e de Taiwan, não são suficientemente grandes. A mudança genética diz respeito à membrana de proteínas com espigos, a parte do novo coronavírus que se liga ao nosso corpo, através dos receptores ACE2, as enzimas conversoras de angiotensina 2 que existem em células epiteliais dos pulmões, intestinos, rins e vasos sanguíneos, explica a revista.
A estirpe, de um paciente em Kerala, na Índia, foi identificada inicialmente em Janeiro pelo Instituto Nacional de Virologia indiano. Porém, só agora foi descoberta toda a sequência do genoma deste coronavírus. A sua mutação, adianta a “Sábado”, ocorre no Domínio de Ligação ao Recetor das proteínas que estão nos espigos do coronavírus, pode remover a ligação de hidrogénio destas proteínas e tornar mais difícil a ligação com as enzimas ACE2, que o coronavírus se liga para entrar no corpo humana.
«As observações deste estudo aumentam o perigo de que, com as mutações, os múltiplos epítopos [área da molécula do vírus que se liga aos receptores celulares e aos anticorpos] da Sars-CoV-2 podem aumentar a qualquer momento. Isso significa que o desenvolvimento de uma vacina está em risco de se tornar inútil», referem os autores do estudo publicado no portal biorxiv, consultado pela “Sábado”.
Até à segunda-feira passada, tinham já sido sequenciadas mais de 10 mil estirpes do novo coronavírus, segundo o Centro para a Bioinformação chinês. Destas, mais de 4.300 continham mutações.
Já em Portugal, foram observados 59 diferentes genomas da Sars-Cov-2, a maioria com mutações genéticas. Algumas estirpes observadas no mundo já tinham sofrido mais de 20 mutações.
A nível global, segundo um balanço da “Agence France-Press”, a pandemia da Covid-19 já provocou mais de 181 mil mortos e infectou mais de 2,6 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 593.500 doentes foram considerados curados.
Portugal conta já com 21.982 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus e 785 óbitos, segundo o boletim epidemiológico da Direção Geral da Saúde desta quarta-feira, dia 22 de Abril.
O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».




