O governo espanhol receia que as medidas de confinamento e distanciamento social «percam força», numa altura em que equaciona a próxima etapa de eventual redução ou alívio de medidas restritivas, uma vez que, segundo especialistas, esse alívio implicaria dar um passo atrás no nível de contágio e na sobrecarga dos hospitais, de acordo com o ‘La Vanguardia’.
«A nossa obrigação é preparar todos os cenários, mas agora estamos na fase de tentar ultrapassar a curva de contágio. É um estágio difícil, que ainda não conseguimos passar. Não sabemos se será necessário prolongar novamente (o estado de emergência), dependendo do que os especialistas indiquem. Nada está descartado», explica o ministro da Saúde, Salvador Illa.
O Governo espanhol já havia decidido prolongar por mais duas semanas, até dia 26 de Abril, o estado de emergência em vigor desde 15 de Março, com o objectivo de lutar contra o novo coronavírus. Contudo, o primeiro-ministro Pedro Sánchez já equaciona a hipótese de avançar para uma nova prorrogação, a qual pode fazer com que Espanha mantenha o estado até ao dia 10 de Maio.
Os especialistas acreditam que é necessário que se façam os chamados «testes de imunidade», com o objectivo de verificar se a população já desenvolveu anticorpos necessários para que fique imune ao vírus. Os primeiros resultados que vão testar cerca de 62.400 pessoas em todo o país, não serão conhecidos até Maio.
Esta quinta-feira, Espanha registou 683 mortes nas últimas 24 horas, devido à pandemia de Covid-19, que eleva o total de vítimas mortais para 15.238, de acordo com informações oficiais divulgadas pelas autoridades espanholas, no balanço diário desta quarta-feira e citadas pelo ‘El País’.
O número de vítimas mortais no país volta agora a descer substancialmente, depois de na quarta-feira Espanha ter registado 757 mortes nas últimas 24 horas, devido ao novo coronavírus.
Relativamente ao número de pacientes infectados, o país conta agora com mais de 152.446 casos de infecção por Covid.19. 52.165 pessoas já recuperaram da doença, segundo o Ministério da Saúde espanhol.
Diante deste cenário, Sánchez apelou a uma resposta comum da União Europeia: «A UE está em perigo se não houver solidariedade. Este cenário requer força. O caminho não passa por austeridade ou cortes», refere o responsável que convocou uma reunião para a próxima semana com «todas as forças politicas que queiram reconstruir o país económica e socialmente».
O primeiro-ministro espanhol pediu esta quinta-feira à oposição de direita para seguir o exemplo de Portugal, onde o presidente do PSD, Rui Rio, fez um «discurso emotivo» a desejar «boa sorte» e a oferecer a sua colaboração na luta contra a covid-19.
«Peço-vos humildemente unidade e lealdade» institucional, repetiu Pedro Sánchez dirigindo-se ao líder do Partido Popular (PP, direita) durante o debate esta manhã no parlamento espanhol que deverá aprovar o prolongamento do “estado de emergência”.
As palavras do chefe do Governo receberam o aplauso dos poucos deputados dos partidos que apoiam o Executivo, num parlamento em que a maioria estava a participar na sessão a partir de casa.
O chefe do Governo espanhol afirmou ainda «estranhar que Espanha seja diferente da maior parte dos países no mundo em que os vários partidos políticos estão unidos na luta contra o novo coronavírus».














