Covid-19. Espanha, França e Alemanha admitem nacionalizar empresas com problemas

Um pouco por toda a Europa, os planos de resposta à crise económica fruto da pandemia do coronavírus, podem passar pela nacionalização de empresas chave.

Sónia Bexiga

Os últimos dias, entre tantas outras medidas de apoio e resistência aos efeitos económicos da pandemia, ficam marcados pela decisão de alguns países em avançar para a nacionalização de algumas das suas empresas. A Espanha ativou a proteção de empresas cotadas contra capital estrangeiro, a França também veio defender esta medida extrema, enquanto a Alemanha admitia estar preparada para avançar caso o impacto do coronavírus fique descontrolado.

Na semana passada, a Comissão Europeia deu luz verde aos Estados-membros para socorrerem as empresas, suspendendo os regulamentos de ajuda pública ao setor privado. Na prática, significa que os governos passam a poder tomar medidas como empréstimos, recapitalizações com dinheiro público, aquisição de uma participação acionista e, no extremo, decidir-se pela nacionalização.

Para evitar uma onda crescente de investidores e uma especulação desmedida, Espanha decidiu avançar e ativou um limite de 10%  para investidores estrangeiros em empresas cotadas, de forma a proteger as empresas espanholas.

Para estes países, estas medidas não procuram apenas evitar a falência das empresas, mas também evitar que sejam adquiridas por investidores indesejados, estrangeiros sobretudo, que possam beneficiar de um preço esmagado. Nesse sentido, o ministro da Economia e Finanças francês, Bruno Le Maire alertou para ataques especulativos sofridos por algumas empresas no mercado de ações.

Le Maire, durante esta semana, já havia assegurado que estava pronto para usar “todos os meios” à sua disposição, incluindo a nacionalização, para “proteger” as empresas francesas ameaçadas, devido à epidemia de coronavírus.

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Também o ministro das Finanças alemão, Olaf Scholz, anunciou que o governo está preparado para assumir participações em empresas para compensar o impacto do coronavírus. A  Alemanha já tomou esse tipo de medida na crise de 2008 para ajudar os bancos. O Executivo já prometeu 550 mil milhões de dólares para apoiar as suas empresas, através do banco estatal de desenvolvimento KfW. Scholz garantiu que o governo está preparado para ir mais longe.

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