Covid-19: Espanha avança para a vacinação recorde de 10 milhões de pessoas mas nem tudo está definido

Depois de anunciar a aquisição de 20 milhões de doses da vacina da Pfizer e do BioNTech, para vacinar cerca de 10 milhões de pessoas, Espanha já está a preparar esta fase da vacinação.

Simone Silva

Depois de anunciar a aquisição de 20 milhões de doses da vacina da Pfizer e do BioNTech, para vacinar cerca de 10 milhões de pessoas, Espanha já está a preparar esta fase da vacinação que conta ainda com muitas questões por responder, segundo o ‘El Pais’.

Para já, ainda não está definido quem será vacinado com este pacote de doses e de que forma o processo será feito. Para estabelecê-lo, será necessário conhecer os resultados oficiais dos testes clínicos da Pfizer e verificar se todas as faixas etárias e pessoas com patologias associadas podem efetivamente ser imunizadas, explica o ministro da Saúde espanhol, Salvador Illa.

Nesse caso, o normal, segundo Illa, será que os profissionais de saúde e os idosos, que são neste momento os mais vulneráveis ​​à doença, sejam vacinados primeiro. Esses grupos praticamente somam o número de vacinas disponíveis nesta primeira fase, visto que em Espanha há mais de nove milhões de pessoas com mais de 65 anos e cerca de meio milhão de profissionais de saúde.

Os serviços públicos de saúde das comunidades autónomas e do ministério terão que definir como o fazem, mas se os resultados do ensaio não surpreenderem, o mais provável é que se use uma estratégia muito semelhante à da vacinação contra a gripe, afirma uma fonte de um serviço regional de saúde pública, citada pelo ‘El Pais’.

Mas o desafio será ainda maior. Em primeiro lugar, porque a taxa de vacinação contra a gripe em Espanha entre os maiores de 65 anos é de 54% e apenas um terço dos profissionais de saúde a recebe. Na vacina contra a Covid, o objetivo é imunizar uma percentagem maior da população de risco, embora sempre seja voluntária. Em segundo, porque 28 dias após a primeira dose, a segunda deve ser administrada, oque duplica o trabalho. E terceiro, devido às características da vacina do coronavírus, que deve ser acondicionada em temperaturas muito baixas.

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Este último obstáculo é enfrentado pela Pfizer. «Desenvolvemos planos logísticos e ferramentas para garantir um transporte eficaz, armazenamento e controlo contínuo da temperatura das vacinas. A nossa distribuição é baseada num sistema flexível que enviará os frascos congelados ao posto de vacinação na altura necessária», explica a porta-voz da empresa.

«O mais lógico é que as vacinas vão chegando gradualmente, sendo administradas na mesma proporção, de modo a que não seja necessário armazená-las, mas também estamos a pensar em alternativas se necessário», diz César Hernández, diretor do departamento de medicamentos da a Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde (Aemps).

Hernández explica que é preciso traçar os detalhes do acordo, como será distribuído e a quantos pontos chegará em cada país, mas vê que é possível que os próprios centros de saúde os administrem. O responsável indica que não está previsto que as doses sejam produzidas em Espanha.

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