Covid-19: Ensaios clínicos globais da hidroxicloroquina vão ser retomados

Os ensaios clínicos desenvolvidos para testar se os medicamentos contra a malária, hidroxicloroquina e cloroquina, podem realmente prevenir a infecção por Covid-19, devem ser retomados a nível global, depois de o fármaco ser aprovado pelos reguladores britânicos, avança a ‘Reuters’.

A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos para a Saúde britânica (MHRA) decidiu suspender os testes, depois de um outro estudo ter demonstrado que a hidroxicloroquina não tinha qualquer benefício para pacientes infectados com Covid-19.

O ensaio clínico, chamado COPCOV foi interrompido, estando agora as autoridades de saúde a aguardar os resultados, para saber se podem aprovar o medicamento e retomar os testes.

O presidente dos EUA, Donald Trump, já admitiu tomar o fármaco, ainda que a Food and Drug Administration (FDA), tenha referido que sua eficácia e segurança ainda não estavam comprovadas.

Contudo, Nicholas White, professor da Universidade de Oxford, que lidera o estudo COPCOV, disse que os ensaios sobre o fármaco ainda não são conclusivos.

«A hidroxicloroquina ainda pode prevenir infecções, e isso tem de ser determinado num estudo controlado», afirmou o responsável em comunicado. «A questão de saber se (pode) impedir a Covid-19 ou não continua a ser tão pertinente como sempre», acrescenta.

A equipa de White referiu que vão retomar o recrutamento de voluntários esta semana e que planeiam desenvolver os testes na Tailândia e no sudeste da Ásia, África e América do Sul. Os resultados são esperados até ao final deste ano.

De recordar que também a Organização Mundial de Saúde (OMS) decidiu suspender por duas vezes, uma em Maio e outra em meados de Junho, os ensaios clínicos da hidroxicloroquina no tratamento contra o novo coronavírus.

Da primeira vez «o grupo executivo implementou uma pausa temporária no ensaio clínico do fármaco, para que fosse realizada uma revisão dos dados de segurança, por parte do conselho de controlo e monitorização», disse o director geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na altura.

Esta primeira decisão foi tomada depois de um estudo, publicado na revista médica ‘The Lancet’, ter sugerido que o uso da hidroxicloroquina aumenta o risco de morte em cerca de 34% e de arritmias cardíacas graves em cerca de 137%. Se a essa componente juntarmos um antibiótico, o risco de morte sobe para 45% e de arritmias graves para 411%, segundo o mesmo estudo.

Da segunda vez, a OMS considerou que o fármaco em questão não reduzia a mortalidade em pacientes infectados com a Covid-19, de acordo com testes realizados.

«Há cinco minutos, terminámos uma chamada com todos os investigadores envolvidos no ensaio. Com base nas evidências disponíveis, a decisão tomada foi de parar com os ensaios da hidroxicloroquina», explicou na altura a médica Ana Maria Henao Restrepo, membro do programa de emergências em saúde da OMS.

A responsável esclareceu que a OMS decidiu suspender os ensaios da hidroxicloroquina, tendo por base os resultados do ensaio ‘Recovery’, realizado no Reino Unido, que não mostraram quaisquer benefícios do uso do fármaco contra a doença viral.

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