Em Portugal, assistiu-se a «uma forte redução da actividade económica em Março», quando foram registados os primeiros casos de infecção pelo novo coronavírus no país, revela um inquérito do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Banco de Portugal (BdP).
Dados do INE e do BdP, divulgados nesta segunda-feira, mostram que o indicador de confiança dos Consumidores registou uma redução significativa face ao mês anterior, «a maior desde Setembro de 2012 e atingindo o valor mínimo desde Fevereiro de 2016».
Todos os indicadores de confiança das empresas diminuíram em Março, assinalando-se em particular as «fortes reduções no Comércio e nos Serviços».
O montante global de levantamentos nacionais, de pagamentos de serviços e de compras em terminais de pagamento automático na rede multibanco também registou uma diminuição significativa em Março (-17%), após um aumento de 10,1% no segundo mês de 2020.
As vendas de veículos automóveis, por sua vez, assistiram a fortes quebras em Março: -57,5% nos automóveis ligeiros de passageiros, -51,2% nos comerciais ligeiros e -46,9% nos veículos pesados.
Ainda em Março, os indicadores de confiança dos consumidores e de sentimento económico diminuíram de forma «expressiva» na Área Euro, reflectindo «a forte deterioração das expectativas provocada pelos efeitos da pandemia Covid-19», pode ler-se.
Os preços das matérias-primas e do petróleo apresentaram variações em cadeia de -2,0% e -23,8%, respectivamente (-3,5% e -10,9% em Fevereiro), traduzindo os efeitos negativos da pandemia na economia global e das divergências entre os países produtores de petróleo.
Já em Abril (semana de 6 a 10), o Inquérito Rápido e Excepcional às Empresas, promovido conjuntamente pelo INE e BdP, aponta para uma «forte redução do volume de negócios e uma diminuição do pessoal ao serviço», nomeadamente através do recurso ao regime de lay-off simplificado, salientando-se, entre as diversas actividades, o impacto negativo da crise pandémica no alojamento e restauração
Das cerca de cinco mil empresas inquiridas, 82% responderam que continuam em produção ou em funcionamento, mesmo que parcialmente, enquanto 16% encontravam-se temporariamente encerradas. Outras 2% assinalaram que tinham encerrado definitivamente. Adicionalmente, 37% das empresas em funcionamento ou temporariamente encerradas reportaram uma redução superior a 50% do volume de negócios e 26% uma quebra superior a 50% do número de pessoas ao serviço efectivamente a trabalhar.
As estimativas provisórias mensais do Inquérito ao Emprego dão conta de que a taxa de desemprego (15 a 74 anos), ajustada de sazonalidade, fixou-se em 6,5% em Fevereiro, 0,2 pontos percentuais inferior ao valor definitivo registado nos três meses anteriores, mas idêntico no mesmo período do ano anterior.
Em Fevereiro, a estimativa para a população empregada (15 a 74 anos), também ajustada de sazonalidade, registou uma variação homóloga nula (variação homóloga de 0,2% em Janeiro). A informação sobre o desemprego registado pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional, entretanto divulgada para Março e para a primeira quinzena de Abril, aponta, no entanto, para um crescimento expressivo do desemprego.
Por outro lado, o Índice de Preços no Consumidor registou uma taxa de variação homóloga nula em Março (0,4% no mês anterior). Esta evolução resultou, sobretudo, da redução do índice dos produtos energéticos.
O INE faz notar que «embora a informação deste destaque traduza em certa medida o impacto da pandemia Covid-19, é de esperar que as tendências aqui analisadas se alterem substancialmente nas próximas divulgações. De qualquer modo, a informação hoje disponibilizada é útil para estabelecer uma referência para avaliar desenvolvimentos futuros. Apesar das circunstâncias, tentaremos manter o calendário de produção e divulgação, embora seja natural alguma perturbação associada ao impacto da pandemia na obtenção de informação primária. Por esse motivo apelamos à melhor colaboração das empresas, das famílias e das entidades públicas na resposta às solicitações do INE, utilizando a Internet e o telefone como canais alternativos aos contactos presenciais. A qualidade das estatísticas oficiais, particularmente a sua capacidade para traduzir os impactos da pandemia Covid-19, depende crucialmente dessa colaboração que o INE antecipadamente agradece».
*Notícia actualizada às 11:23














