A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) deve pronunciar-se esta terça-feira sobre a vacina contra a Covid-19 da Janssen (Johnson & Johnson), na sequência dos mais recentes casos que a ligam a coágulos sanguíneos. Especialistas e autoridades de saúde esperam que o parecer seja positivo, e a vacina se mantenha segura e eficaz.
Os Estados Unidos suspenderam a administração e distribuição da vacina após registarem seis casos de tromboembolismos, um deles resultou numa vítima mortal, entre os 6,8 milhões de pessoas que receberam a vacina da Johnson & Johnson.
Agora a Europa aguarda por um parecer do regulador europeu, com os países a colocar os seus programas de vacinação com este fármaco em suspenso, até que seja avaliada a situação, o que deve acontecer amanhã. Portugal é um deles.
Quantas doses chegam a Portugal e quem tem direito?
O anúncio da suspensão da administração da vacina da Janssen surgiu depois de a Europa ter recebido as primeiras doses do fármaco da Johnson & Johnson. Especificamente, Portugal já recebeu 31.200 doses de Janssen na semana passada, que se encontram agora armazenadas à espera de poder ser administradas.
Este mês, Portugal deverá receber ainda mais 55 mil doses, sendo que durante todo esperam-se um total de 4,5 milhões de vacinas. Segundo o coordenador da task-force de vacinação, ainda durante o mês de abril o nosso país receberia 1,8 milhões de doses de vacinas. Contudo, agora com o atraso anunciado na Europa, estes números podem não se confirmar.
Gouveia e Melo disse, numa entrevista ao jornal ‘Público’, que o objetivo é chegar à primeira semana de junho com a vacina administrada – pelo menos a primeira dose – a todos os cidadãos acima dos 60 anos, esperando-se que este fármaco venha ajudar a cumprir a meta.
Líderes portugueses mantêm confiança no regulador e nas vacinas
Tanto o primeiro-ministro, António Costa, como a ministra da saúde, Marta Temido, já manifestaram a sua confiança nas vacinas e no regulador europeu.
«Sempre disse que as autoridades nacionais e todos os estados-membros da União Europeia (UE) devem respeitar as decisões da Agência Europeia do Medicamento (EMA) e evitar tomar medidas unilaterais», sublinhou Costa na semana passada. «Da minha parte só tenho a dizer que se os técnicos entendem que assim é, eu só posso concordar», acrescentou.
Também a ministra da Saúde, lançou um apelo para que a população mantenha a confiança nas entidades reguladoras de medicamentos: «Sabemos que a vacina é a nossa melhor arma a longo prazo para sairmos desta doença e por isso a confiança nas autoridades reguladoras, sejam elas europeias ou não, na tomada deste tipo de decisões deve ser mantida», reiterou o governante.
Portugal, adiantou ainda Marta Temido, «tem um plano de vacinação com mais de 65 anos, graças ao qual o país recuperou em muitos indicadores, estando numa posição muito honrosa em saúde pública e portanto pode haver confiança naquilo que são as vacinas e o papel das autoridades», concluiu.
Quais os efeitos secundários da vacina?
1. Muito frequentes (podem afetar mais de uma em 10 pessoas): dor de cabeça, náuseas, dores musculares, dor no local da injeção, sensação de cansaço;
2. Frequentes (podem afetar até uma em 10 pessoas): vermelhidão no local da injeção, inchaço no local da injeção, arrepios, dores nas articulações, tosse, febre;
3. Pouco frequentes (podem afetar até uma em 100 pessoas): erupção cutânea, fraqueza muscular, dor nos braços ou nas pernas, sensação de fraqueza, mal-estar geral, espirros, dor de garganta, dor nas costas, tremores;
4. Raros (podem afetar até uma em mil pessoas): reação alérgica, urticária.














