Covid-19: Eficácia de 90% da vacina AstraZeneca/Oxford obtida devido a erro na dosagem

Os testes de vacinas da Universidade de Oxford e da AstraZeneca alcançaram 90% de eficácia por acidente, graças a um erro que levou alguns participantes a receber meias dose.

Simone Silva

Os testes de vacinas da Universidade de Oxford e da AstraZeneca alcançaram 90% de eficácia por acidente, graças a um erro que levou alguns participantes a receber meias doses, de acordo com o ‘The Guardian’.

Na segunda-feira, os cientistas revelaram que a vacina Oxford tinha uma eficácia média de 70%, mas poderia ser de até 90% eficaz quando administrada em meia dose seguida de uma dose completa cerca de um mês depois.

«A razão pela qual administrámos a meia dose foi mera casualidade», explicou Mene Pangalos, vice-presidente executivo de pesquisa e desenvolvimento de biofármacos da AstraZeneca.

Quando investigadores universitários distribuíam a vacina no final de abril, perto do início da parceria entre Oxford e AstraZeneca, perceberam que os efeitos colaterais, como fadiga, dores de cabeça ou no braço, eram mais ligeiros do que o esperado. «Então, voltámos, verificámos e descobrimos que tinham recebido a dose da vacina pela metade», disse Pangalos.

Em vez de reiniciar o estudo, os investigadores decidiram continuar com a meia dose e administrar a dose completa de reforço no horário programado.

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Cerca de três mil pessoas receberam meia dose e, em seguida, uma dose completa quatro semanas depois, com dados a mostrar que 90% estavam protegidos. No grupo maior, que recebeu duas doses completas também com quatro semanas de intervalo, a eficácia foi de 62%.

Os cientistas disseram que ainda não conseguiram explicar por que motivo a meia dose oferece uma maior proteção, uma das hipóteses é que ative o sistema imunológico de forma diferente.

Sarah Gilbert, professora da Universidade de Oxford, que liderou a pesquisa, disse: «Pode ser que, ao administrar uma pequena quantidade da vacina inicialmente e depois uma grande quantidade, essa seja a melhor maneira de colocar o sistema imunológico em ação, dando-nos a resposta imunológica mais forte e mais eficaz».

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Por sua vez, Andrew Pollard, diretor do Oxford Vaccine Group e principal investigador do estudo, acrescentou: «O que não sabemos neste momento é se essa diferença está na qualidade ou na quantidade da resposta imunológica. E isso é algo que iremos investigar nas próximas semanas».

A vacina ainda tem de ser aprovada pela Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde, mas pode ser disponibilizada nas próximas semanas se for dada autorização.

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