Covid-19. Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares diz que é «prematuro e especulativo» levantar medidas de contenção

O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares disse esta quarta-feira, em entrevista à rádio “Observador”, que é «prematuro e especulativo» decidir já que regiões devem levantar gradualmente as medidas de contenção

Ana Rita Rebelo

O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares disse esta quarta-feira, em entrevista à rádio “Observador”, que é «prematuro e especulativo» decidir já que regiões devem levantar gradualmente as medidas de contenção. A decisão tem de ser «suportada pela avaliação feitas pelas autoridades de saúde», defendeu Duarte Cordeiro.

«Temos de esperar pelo momento em que o Governo, a nível central, avaliando as condições que existem a nível de saúde publica, entende qual o caminho a seguir», referiu o governante, sublinhando que é importante salvaguardar que uma retoma da actividade «não representa risco de aumentar o contágio».

Para Duarte Cordeiro, um dos governantes designados por António Costa para liderar a execução do plano de emergência, a retoma gradual da actividade económica tem de acontecer «de forma muito estruturada a nível nacional». O governante considera que a região de Lisboa e Vale do Tejo, por exemplo, vai assistir a uma recuperação mais lenta, por estar dependente do Turismo e «da recuperação internacional e do sentimento de confiança».

O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares defende que o país será obrigado a «procurar estratégias do ponto de vista económico e social que permitam recuperar rapidamente e fazermos transições de sectores económicos, se for necessário». «Se sentirmos que há sectores que recuperam mais rapidamente, esses podem ter necessidades de mão-de-obra que transita do Turismo». Ou seja, o Governo poderá vir a admitir que trabalhadores dos sectores mais afectados pela crise provocada pela Covid-19, como o Turismo, possam ser recrutados para suprir necessidades em sectores que «recuperem mais rápido».

«Neste momento é importante ser feito esse trabalho do ponto de vista estratégico para planear o que possa ser um caminho de recuperação económica. E o Turismo fará parte desse plano», reiterou.

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Ontem, na mesma rádio, o primeiro-ministro, António Costa, defendeu que só faz sentido levar restrições quando o «risco de contágio estiver controlado». «O processo de saída há-de ser sempre gradual e progressivo. Não podemos levantar estas medidas restritivas sem que o risco de contágio esteja controlado. Ainda não chegámos à fase de declínio da pandemia. É prematuro», considerou, lembrando que «no dia em que tirarmos estas medidas, o risco de aumento do contágio também aumenta».

«Quando começarmos a retirar as medidas o vírus ainda não desapareceu», insistiu, dizendo que o levantamento das medidas restritivas «tem de ser gradual para garantir que esse aumento nunca ultrapassa o limite do que é controlável».

Mais à frente, disse que «vamos ter um país com múltiplas velocidades, regiões diferentes e pessoas com risco diferente», frisou, mais à frente.

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Quanto aos lares, Duarte Cordeiro assumiu que a grande preocupação é que profissionais não sejam veículo de contágio. «Há um trabalho que queremos fazer de prevenção, ou seja, rastrear e apoiar as instituições, como posteriormente testar para termos um ponto de situação mais concreto. Quando falamos dos testes preventivos referimo-nos essencialmente aos profissionais. O que nos preocupa nos lares são os profissionais que muitas vezes levam o contágio para dentro das instituições», afirmou.

«Durante esta semana é meu objectivo garantir que temos as parcerias fechadas nas várias comunidades intermunicipais e, dentro da área metropolitana de Lisboa, para multiplicar o número de equipas que estão a fazer estes rastreios», adiantou ainda, acrescentando que, para já, não foi preciso recorrer à bolsa de voluntários para ajudar em lares caso os funcionários adoeçam.

Duarte Cordeiro anunciou também que os equipamentos de protecção para estes profissionais estão a ser reforçados. Já sobre o cidadão comum, «naturalmente vamos ter de nos habituar a usar máscara no nosso dia-a-dia. Até termos disponibilidade de vacinação ou medicação, qualquer sinal de abertura tem de ser acompanhado de uma enorme cautela e mecanismos de protecção».

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já provocou mais de 124 mil mortos e infectou quase dois milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Em Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 2 de Março, o último balanço da Direção-Geral da Saúde indicava 567 óbitos entre 17.448 infecções confirmadas.

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