Covid-19: DBRS prevê deterioração dos ativos da banca portuguesa em 2021

A agência DBRS prevê uma deterioração “mais pronunciada” da qualidade dos ativos da banca portuguesa em 2021, dada a flexibilização das moratórias, dos empréstimos com garantia do Estado e de outros apoios públicos relacionados com a pandemia.

Revista Risco

A agência DBRS prevê uma deterioração “mais pronunciada” da qualidade dos ativos da banca portuguesa em 2021, dada a flexibilização das moratórias, dos empréstimos com garantia do Estado e de outros apoios públicos relacionados com a pandemia.

“Na nossa perspetiva, a deterioração da qualidade dos ativos vai ser mais pronunciada em 2021, na sequência do afrouxar dessas medidas de apoio”, lê-se numa análise divulgada hoje pela agência de notação financeira DBRS Morningstar.

Segundo a agência, para além do previsível aumento do crédito mal parado relacionado com esta flexibilização dos apoios, o risco de crédito “aumentou significativamente desde a avaliação inicial” dos empréstimos e a deterioração da economia faz com que seja ”muito mais difícil à banca reduzir os níveis de mal parado pré-covid-19”.

Para a DBRS Morningstar, “os setores mais vulneráveis à pandemia são os que estão ligados direta e indiretamente à indústria do turismo, que é um motor chave da economia portuguesa, como a hotelaria, restauração e transportes, tal como diversos setores industriais”, sendo que “o setor imobiliário tem permanecido até agora estável, mas pode ficar sob pressão se a taxa de desemprego aumentar de forma significativa”.

Na análise hoje divulgada, a agência nota que, no primeiro semestre de 2020, os bancos portugueses (BCP, CGD, Novo Banco, Santander Totta, Banco BPI e Caixa Económica Montepio Geral-CEMG) reportaram um prejuízo líquido agregado de 66 milhões de euros, o que representou “um declínio significativo” face ao resultado líquido agregado de 600 milhões de euros do primeiro semestre de 2019.

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Conforme refere, “os resultados foram sobretudo afetados pelo aumento dos níveis de provisões e pela pressão sobre as receitas, dada a deterioração do ambiente económico resultante da pandemia de covid-19”.

“Em termos de balanço, vários bancos reportaram um aumento significativo dos volumes de empréstimos ao setor empresarial, que reflete a provisão das linhas de crédito lançadas para apoiar a economia no contexto da pandemia. Registou-se ainda um aumento dos depósitos, já que os consumidores e as empresas ficaram mais prudentes devido à incerteza em torno da pandemia e ao seu efetivo impacto na economia”, lê-se na análise da DBRS.

De acordo com a agência, no primeiro semestre deste ano, os empréstimos abrangidos por moratórias (públicas e privadas) representaram em média 22% da exposição total de crédito dos bancos em Portugal, sendo a maior parte destes empréstimos relativos ao setor empresarial e a pequenas e médias empresas, o que “reflete a elevada exposição do setor bancário português a este segmento”.

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Dada a deterioração do ambiente económico e as suas implicações negativas na rentabilidade e nas folhas de balanço dos bancos, a DBRS Morningstar reviu recentemente em baixa as avaliações de vários bancos portugueses: Em abril e maio, as perspetivas para os ‘ratings’ do Novo Banco, BCP e CGD foram revistas de ‘estáveis’ para ‘negativas’ e, em julho, os ‘ratings’ da CEMG foram também revistos em baixa.

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