O governo alemão prepara-se para aprovar legislação que irá restringir o acesso a apoios públicos, de resposta à crise provocada pela pandemia da covid-19, a empresas cotadas que paguem dividendos aos acionistas, exigindo ainda que as empresas beneficiárias dos apoios cortem salários e bónus às respetivas administrações, noticia a Bloomberg, esta segunda-feira.
A aplicação da legislação e a forma como serão atribuídos os referidos apoios do Estado, segundo detalham especialistas, será tomada mediante a análise de cada um dos casos que forem surgindo. Ainda assim, caso as cotadas decidam suspender ou cancelar a distribuição de dividendos referentes ao ano passado qualificam-se, desde logo, e podem avançar com as necessárias candidaturas ao programa anti-crise ou a empréstimos do banco de fomento estatal KfW.
Importa recordar que, o ministro alemão da Economia, Peter Altmaier, fez declarações sobre estas questões, no fim de semana passado, garantindo que o governo exigirá também cortes nos salários e bónus das administrações de grandes empresas que queiram candidatar-se a apoios públicos.
“Os conselhos de administração e os executivos de topo devem contribuir em emergências, em especial no que diz respeito ao pagamento de bónus”, sublinhou Altmaier, ao Frankfurter Allgemeine Zeitung.
Recorde-se ainda que, no final da semana passada, a Alemanha anunciou oficialmente o pacote de estímulos económicos de 750 mil milhões de euros. Deste montante, 156 mil milhões de euros (cerca de 4,5% do PIB) dizem respeito a nova dívida, o que significa que em 2020 a Alemanha não vai respeitar a regra constitucional dos orçamentos equilibrados.
A este apoio juntam-se ainda os 500 mil milhões de euros que o estatal KfW tem ao dispor para assegurar a liquidez necessária ao tecido empresarial num contexto de quebra da procura.
Berlim acompanha assim um movimento de que tenta travar a distribuição de dividendos enquanto a crise económica persistir, uma medida que visa reforçar a liquidez e capacidade de resposta numa fase de claro abrandamento da atividade económica.














