Covid-19. Costa: «Vamos estar neste ‘túnel’ por três meses»

O primeiro-ministro, António Costa, em entrevista à “Renascença”, afirmou que «não podemos baixar a guarda e pensar que o pior já passou».

Ana Rita Rebelo

O primeiro-ministro, António Costa, em entrevista à rádio “Renascença”, afirmou que «não podemos baixar a guarda e pensar que o pior já passou».

O chefe do Governo admitiu que teve «receio» do decreto de Estado de Emergência. «Não senti que as pessoas tivessem consciência que não bastava ficar 15 dias em casa», disse, assumindo que este período «vai ser longo». «Temos risco de segunda onda e na melhor das hipóteses temos vacina no Verão do próximo ano», apontou.

Questionado sobre a situação dos despedimentos, Costa salientou que «é uma situação que só vencemos com o esforço de todos», voltando a referir que «vamos atravessar o ‘túnel’ por três meses» e que as «empresas têm de estar vivas» no final.

«Esta crise não nasceu da economia, nem do sector financeiro ou das finanças do Estado. (…) A economia estava a crescer, o desemprego a descer, os rendimentos a recuperar, e de repente surgiu algo imprevisível. Temos de proteger o mais possível todo o esforço que o país fez, congelar isto dois três meses para que quando a crise passar possamos recomeçar. O mais próximo possível da situação onde estávamos», vincou.

Quando à questão das escolas, diz que a intenção do Executivo é «terminar este ano lectivo da forma mais justa e equitativa», recordando que o limite máximo para que o ensino presencial seja retomado sem impacto no calendário escolar é o próximo dia 4 de Maio. António Costa sublinhou, no entanto, que pretende usar com «extremo cuidado» este Estado de Emergência e, mais à frente, disse que uma das medidas urgentes para o terceiro período, «quer se retome ensino presencial ou seja apenas parcial, é complementar o ensino digital através da televisão».

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Sobre os lares, o primeiro-ministro assumiu que «alguns não terão antecipado as medidas de contenção necessárias», nomeadamente «cuidados que pessoas que lá trabalham deviam ter para não transportar o vírus». Admitiu ainda que o próprio Estado não estava preparado, tanto que «na última semana tivemos nove voos da China carregados só com material de protecção individual. É uma ponte aérea que temos montada para as próximas semanas para abastecer profissionais de saúde e forças de segurança».

Porém, destacou que «o conjunto dos partidos políticos tem sido exemplar» e que «tem havido consenso bastante generalizado». «Mesmo o PCP que se absteve no Estado de Emergência não se opõe às medidas», realçou.

Mais à frente, Costa sublinhou que no último Conselho Europeu houve um «momento tenso», mas crê que «fez muitos perceberem que é necessário dar passo em frente». Para o primeiro-ministro: «O que é fundamental é a capacidade de resposta conjunta da União Europeia a um desafio comum de forma comum e solidária. Se é com coronabonds, apoios directos com base no orçamento da União ou contribuições directas dos estados, são opções técnicas».

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Neste momento, o chefe do Governo considerou que é «essencial que a Europa não desista de si própria e dê mensagem errada», dando o pós II Guerra mundial como exemplo. «À saída dessa guerra entenderam necessário a mutualização do carvão e do aço, criar a União Aduaneira, a criação do mercado comum, do mercado interno, da união monetária», lembrou.

*Notícia actualizada pela última vez às 10:10

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