Covid-19. Consórcio nacional de cientistas inicia ensaio para aferir imunidade da população

O consórcio Serology4Covid, que agrega cinco institutos de investigação, lançou um projecto para implementar um ensaio serológico de detecção de anticorpos para a Covid-19 na população portuguesa.

Executive Digest

O consórcio Serology4Covid, que agrega cinco institutos de investigação, lançou um projecto para implementar um ensaio serológico de detecção de anticorpos para a Covid-19 na população portuguesa, anunciou o consórcio.

Num comunicado enviado às redacções, citado pela “Lusa”, os promotores do projecto, que junta Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), Instituto de Medicina Molecular (IMM), Centro de Estudos de Doenças Crónicas da NOVA Medical School da Universidade Nova de Lisboa (CEDOC-NMS), Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (iBET) e Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier da Universidade Nova de Lisboa (ITQB-NOVA) consideram o ensaio «essencial para perceber a expansão da imunidade na população e para suportar a implementação de novas estratégias».

O consórcio vincou que os primeiros ensaios «já estão em curso», lembrando que a grande maioria dos casos identificados de Covid-19 regista sintomas leves e que uma parte significativa dos infectados nem chega a manifestar quaisquer sintomas, pelo que a realização destes testes, a um nível «escalável e económico» no país, vai assegurar uma gestão «mais realista» da pandemia no futuro.

«É essencial desenhar ensaios serológicos específicos para a covid-19, a um preço acessível, que possam ser utilizados à escala nacional em estudos epidemiológicos», adiantou a directora do IGC, Mónica Bettencourt-Dias, sendo secundada pela investigadora Helena Soares, do CEDOC-NMS: «Estamos a optimizar um ensaio, já adoptado por alguns hospitais dos Estados Unidos, de modo a torná-lo ainda mais económico e autossuficiente. Permitir-nos-á quantificar possíveis diferenças na produção de anticorpos entre portadores assintomáticos».

Com o apoio do Fundo de Emergência Covid-19, da Fundação Calouste Gulbenkian, da Sociedade Francisco Manuel dos Santos e da câmara de Oeiras, o projecto conta ainda com um conselho consultivo que integra o director da unidade de cuidados intensivos do Hospital Pulido Valente, Filipe Froes, o director do programa de doutoramento da Fundação Champalimaud, Thiago Carvalho, e Florian Krammer, professor na Icahn School of Medicine.

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O director do ITQB-NOVA, Cláudio M. Soares, sublinhou que o trabalho «beneficia a saúde pública nacional» e que a implementação em grande escala será coordenada com o governo, além de já existirem esforços de articulação «com as autoridades de saúde, nomeadamente com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA)». Por outro lado, o consórcio admitiu alargar também o projecto a entidades privadas.

O projecto de ensaio serológico deste consórcio junta-se a outro já em desenvolvimento pela Fundação Champalimaud, que inicia na próxima semana testes serológicos à Covid-19 a 667 enfermeiros e assistentes operacionais dos hospitais de Santa Maria (Lisboa) e Santo António (Porto), num projecto-piloto em colaboração com a Ordem dos Enfermeiros.

Também o INSA, laboratório nacional de referência na dependência do Ministério da Saúde, anunciou o início da realização de testes serológicos, numa fase piloto, a cerca de 1.700 pessoas no final de Abril ou na primeira semana de Maio.

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A nível global, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 164 mil mortos e infectou mais de 2,3 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 525 mil doentes foram considerados curados.

Portugal regista 714 óbitos (+27 em 24 horas) e 20.206 infectados (+521), segundo o relatório da Direção-Geral de Saúde deste domingo.

O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».

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