Os centros comerciais do Rio de Janeiro vão abrir 24 horas por dia até ao Natal, na esperança de conseguir evitar a superlotação e ajuntamentos, numa altura em que o país atravessa uma segunda vaga da Covid-19. O anúncio foi feito pelas autoridades na sexta-feira e citado pela agência France Press (AFP).
A medida vai contra as recomendações da comunidade cientifica que defende novas restrições na cidade brasileira, em virtude do preocupante aumento de mortes e infeções pelo novo coronavírus. O Brasil regista atualmente o segundo maior número de mortes (278.996), depois dos Estados Unidos e o terceiro maior número de casos (6.533.968).
Deste total, mais de 23 mil óbitos aconteceram no estado do Rio, onde a taxa de mortalidade ligada ao vírus é a mais alta do país. O comité científico da cidade recomendou esta semana o encerramento de praias e a redução do horário de funcionamento de bares e restaurantes.
O presidente do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, afirmou que manter os centros comerciais abertos a qualquer hora faria diminuir a agitação do Natal. «Com os shopping abertos 24 horas por dia, a população não tem de ir a correr» fazer compras, disse o responsável em conferência de imprensa. A medida entra em vigor já este sábado e mantém-se ao longo de todo o mês de dezembro, anunciou.
As únicas restrições anunciadas são o encerramento de escolas municipais apenas algumas semanas após a sua reabertura. O gabinete do presidente e o governo do estado do Rio também anunciaram um aumento da capacidade hospitalar, com taxas de ocupação de unidades de cuidados intensivos (UCI) a ultrapassar os 90% na semana passada.
O especialista em doenças infeciosas, Celso Ferreira Ramos Filho, diretor da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, considera que as medidas são «questionáveis».
«Centros comerciais abertos pela noite dentro, com poucos clientes e mais energia e gastos com pessoal? Não terá nenhum efeito real», disse. «Dito isto, qualquer coisa que possa reduzir os encontros sociais é bem-vinda», acrescentou, citado pela AFP.





