Covid-19: Capacidade de camas em UCI pode chegar às mil, mas com prejuízo para outras doenças, diz Temido

A responsável referiu que as unidades de cuidados intensivos (UCI) enfrentam atualmente uma «situação muito grave», cuja capacidade, se alargada, pode pôr em risco outras áreas de atividade. 

Revista de Imprensa

A ministra da saúde, Marta Temido, admitiu que o cenário traçado devido à pandemia não é dos melhores. Em entrevista ao Público e à Rádio Renascença a responsável referiu que as unidades de cuidados intensivos (UCI) enfrentam atualmente uma «situação muito grave», cuja capacidade, se alargada, pode pôr em risco outras áreas de atividade.

«A situação é muito grave, mas felizmente o número de camas de cuidados intensivos de que dispomos no SNS tem alguma capacidade de ajustamento e isso significa que tem sido possível diariamente, semanalmente, graças ao esforço dos profissionais de saúde, graças ao esforço dos dirigentes, encontrar capacidade para acomodar aquilo que são as necessidades», afirmou.

Questionada sobre a disponibilidade de camas em UCI a ministra sublinha que esse indicador «varia diariamente na medida em que nós temos estado a abrir mais camas, afirma adiantando que «no final deste mês abrirão mais 28 camas no centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, e abrirão mais 11 camas no Hospital Fernando da Fonseca».

«À data de ontem [terça-feira] havia 498 internados em UCI e a capacidade que tínhamos para acolher doentes covid podia ir numa primeira fase até às 589 camas e depois até às cerca de mil camas com prejuízo de outra atividade assistencial e é isso que nos preocupa, como se compreende», explica admitindo que a Copvid-19 pode pôr em causa a resposta às outras áreas.

Marta Temido revela que «o número de camas de cuidados intensivos de que o país dispõe tem aumentado. Aumentou da primeira vaga de Março para Abril, para Maio, para Junho e tem continuado a aumentar mensalmente e quase todos os dias. E se me voltarem a convidar para estar aqui daqui por alguns meses o número de camas será superior porque temos estado a fazer esse investimento».

Continue a ler após a publicidade

A responsável indica que «tem sido feita uma adaptação» nas UCI, para que a capacidade se expandisse ao longo do tempo, contudo, «hoje aquilo que sabemos é que podemos expandir, no limite máximo, até cerca de mil camas. Mas este número é já com prejuízo à resposta a outras áreas de atividade», volta a ressalvar.

«Destas mil só estão excluídas aquelas que são resposta a cuidados intensivos coronários, queimados, neonatologia…Muito pouca coisa. É preciso que se tenha esta perceção. Nós, neste momento, estamos já numa situação que posso dizer que é complexa, grave e que exige uma gestão diária de grande esforço pelas unidades de saúde e de grande articulação entre as unidades de saúde», revela Marta Temido.

Perante a situação vivida Marta Temido considera «natural que este esforço tenha um significado cada vez mais impactante em termos daquilo que é a necessidade de desprogramação de outras áreas de atividade assistencial», uma realidade difícil de evitar.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.