«O BPI pede única e exclusivamente a documentação exigida pela Sociedade de Garantia Mútua», disse Pedro Barreto, administrador do BPI, com o pelouro da banca de empresas do banco.
Pedro Barreto e João Pedro Oliveira e Costa, administradores do BPI, está a ser ouvido no Parlamento, pela Comissão comissões de Orçamento e Finanças, sobre medidas de apoio às famílias e empresas afectadas pela crise da Covid-19, nomeadamente as linhas de crédito garantidas pelo Estado.
«Houve uma primeira linha de 400 milhões de euros – a Capitalizar 2018 – que esgotou rapidamente. Foi lançada depois uma segunda linha pelo Estado de três mil milhões de euros que rapidamente foi ampliada para 6.2 biliões de euros. (…) Esta linha está a funcionar desde sexta-feira. É bonificada, lançada pelo Estado, através do Garantia Mútua», apontou Pedro Barreto, referindo-se à Linha de Apoio à Economia Covid-19.
Logo de seguida, deixou a garantia de que, no caso do BPI, «não há mais nenhuma informação que seja exigida aos clientes» que não seja a que está definida. Quanto à Linha Capitalizar 2018 e 2019, «o número de documentos que passou a ser exigido às empresas aumentou significativamente», fez notar, esclarecendo que isso só ficou definido na semana passada, o que «obviamente fez com que tivéssemos de voltar a falar com os clientes e solicitar informação adicional».
Poucos minutos depois de ser recebido em Belém por Marcelo Rebelo de Sousa, ontem, presidente da Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas criticou a forma como os bancos estão a gerir o crédito ao relançamento da actividade económica nacional. Jorge Pisco disse mesmo que créditos bancários «não têm chegado às empresas. As micro e pequenas empresas não têm tido acesso a essas medidas e não têm podido aceder aos créditos bancários».
Também a bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, Paulo Franco, disse hoje na Comissão de Orçamento e Finanças, no Parlamento, que «o dinheiro praticamente não chegou». «Os primeiros empréstimos chegaram tarde, os novos não estão a chegar mais rapidamente e as sociedades de garantia mútua têm sido o maior entrave, demorando quase um mês a dar resposta a empresas que até já fecharam contas», disse.
O administrador do BPI diz, contudo, que «os bancos começaram a ter possibilidade de carregar as opções que tinham aprovadas na sexta-feira, às 17:30. O número de operações foi muito elevado e ultrapassou claramente mais de 10 mil», o que «fez com que o sistema tivesse de ser bloqueado para a uma da manhã de sábado».
«A sociedade de garantia mútua tem de aprovar os créditos. Depois, os bancos têm de voltar a solicitar informação aos clientes para avançar com a parte da contratação», detalhou, sublinhando que aprovação «tem sido bastante rápida». «Após a aprovação da garantia mútua, o banco BPI consegue que o dinheiro chegue em 10 dias aos clientes», assegurou Pedro Barreto.
Quanto às taxas de juro, aquela que foi praticada pelo BPI «ficou muito, mas muito abaixo das taxas máximas», vincou.
Sobre a linha Capitalizar, «o que é relevante para os clientes é a soma do spread e da comissão».
Nas linhas Covid-19, «o número de médias e pequenas empresas que temos é esmagadoramente muito superior ao número das grandes empresas». E isto tem uma razão: «O limite da linha para as grandes empresas é dois milhões de euros, portanto não é através destas linhas que tem estado a resolver os seus problemas».
«O facto de a linha estar aberta e continuar a receber propostas hoje leva-me a crer que não está esgotada. É cedo para concluir que os 6,2 mil milhões são insuficientes», disse, esclarecendo ainda que os bancos não têm quota negociada nestas linhas. Mais tarde, Barreto admitiu que o BPI banco BPI faz uma análise ao risco dos clientes antes de conceder crédito ao abrigo desta linha: «Nesta linha, os bancos têm uma responsabilidade sobre 20% [do crédito], às quais não podem requerer nenhuma garantia».
No BPI, dizem os administradores, há linhas aprovadas de crédito de curto prazo de 4.6 biliões de euros, que, neste momento, «estão a ser utilizadas pelos clientes a apenas 47%».
Moratória de seis meses pode não ser suficiente
Já sobre a moratória, admitem que «é um tema completamente diferente». «No caso das empresas, é uma moratória obrigatória. Desde que os clientes cumpram uma série de critérios que foram definidos, os bancos têm de aceitar.»
No entender de Pedro Barreto, a recuperação da economia será lenta, razão pela qual defende que moratória precisa de prazos mais alargados: «A recuperação vai ser lenta. Concordo que é possível que a moratória no crédito de seis meses não seja suficiente».
Mais à frente, admitiu que «venha a ser necessário mais montante nas linhas e mais prazo nas moratórias». «Entendo também que o montante máximo devia ser revisto em alta, porque 80 milhões de euros é pouco relevante para um parte importante das empresas. São empresas que têm muitos empregados e para o emprego isso é importante», justificou, sublinhando que o BPI tem recebido sinais positivos por parte do Governo para que isso venha a acontecer.
O poder político apelou, desde o início da actual crise, ao contributo dos bancos. O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse estar à espera de ver a banca «retribuir aos portugueses».
Também o chefe do Governo, António Costa, chegou mesmo a afirmar que os bancos têm uma «função de responsabilidade social muito grande que têm que assumir», até porque têm consciência da sua responsabilidade na crise de 2008 e do que foram ajudados».
Já o líder dos sociais-democratas, Rui Rio, defendeu na Assembleia da República que a «banca não pode querer ganhar dinheiro com a crise» e que o objectivo do sector em 2020 e 2021 «tem de ser lucro zero».
Além do BPI, vão ser recebidos, ainda hoje, os responsáveis dos bancos BCP e Santander Totta.
A pandemia de Covid-19 já matou 170.308 pessoas e há quase 2,5 milhões de infectados em 193, segundo um balanço da Agence France-Press, às 11 horas, a partir de dados oficiais.
Portugal regista, neste momento, 21.379 casos confirmados de infecção por Covid-19 (+516 do que ontem) e 762 vítimas mortais associadas ao novo coronavírus (+27), segundo o boletim epidemiológico da Direção Geral da Saúde desta terça-feira, dia 21 de Abril.
O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».
*Notícia actualizada às 16:15









