Covid-19: Bill Gates diz que os EUA perderam oportunidade de evitar quarentena

O fundador da Microsoft considera que o país perdeu a oportunidade de evitar ter de ficar em casa, porque não agiu com rapidez no controlo da pandemia de Covid-19.

Simone Silva

O fundador da Microsoft , Bill Gates, disse esta terça-feira que os Estados Unidos perderam a oportunidade de evitar uma quarentena total e obrigatória porque não foram suficientemente rápidos no controlo da propagação da pandemia de Covid-19, de acordo com a ‘CNBC’.

«Os EUA desperdiçaram a oportunidade de controlar (a Covid-19) sem ter de parar (o país)», disse Gates durante um programa TED Connects transmitido online, acrescentando que «não agimos com rapidez suficiente para evitar a paralisação».

«Toda a gente devia estar a par da situação, desde Janeiro», acrescentou Gates, reconhecendo que a quarentena será «desastrosa» para a economia, mas, defende, «realmente não existe meio termo».

«É muito difícil dizer às pessoas: vá a restaurantes, compre casas novas, ignore a quantidade de mortes, queremos que continue a gastar, porque há um político que considera que o crescimento do PIB é que conta. É difícil dizer às pessoas durante uma epidemia que elas devem fazer determinadas coisas, sabendo que a sua actividade está a ajudar a propagar esta doença», reforçou.

O fundador da Microsoft defende ainda que os Estados Unidos devem aumentar suas capacidades de testes de Covid-19 e fazer uma melhor triagem de quem realmente deve ser testado.

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«Em termos de teste, ainda não estamos a criar essa capacidade, aplicando-a às pessoas necessitadas. Isto precisa de ser organizado, priorizado. Isto é muito, muito urgente», disse.

As autoridades americanas recomendaram que a população ficasse em casa nos últimos dias, na tentativa de conter a propagação do coronavírus que já infectou mais de 50 mil pessoas no país. Foram muitos Estados que ordenaram o encerramento temporário de todas as empresas não essenciais.

O presidente Trump disse, esta terça-feira, que quer que o país regresse à normalidade dentro de três semanas, perto da Páscoa, conforme a ‘Executive Digest’ noticiou. Contudo, as declarações foram fortemente criticadas por autoridades do governo e especialistas em saúde, alertando que se as pessoas regressarem ao trabalho, o sistema de saúde vai ficar sobrecarregado, podendo originar mais vítimas mortais, num país que já conta com cerca de 125 mortes.

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