O aumento das reinfeções, ou seja pessoas que já recuperaram e passado um tempo voltam a testar positivo, pode prejudicar a eficácia de uma vacina contra a Covid-19 atualmente em desenvolvimento, segundo a investigadora e geneticista Luísa Pereira, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (I3S) da Universidade do Porto, citada pelo ‘Público’.
Ate ao momento registam-se um total de 26 casos de reinfeção confirmados a nível mundial, a especialista explica como é que são identificados. «Para serem validados têm de ser confirmados por sequenciação do vírus e demonstrar que têm um número suficiente de mutações para provar que a primeira infeção é bastante distante da segunda», afirma.
Luísa Pereira indica que para além de uma reinfeção, pode haver mais justificações para situações como esta. «Há alguns vírus que têm esta capacidade de ficarem latentes no nosso organismo e não se manifestarem, passam despercebidos ao sistema imune e não há qualquer sintoma. Ainda não está provado que este vírus não tem essa capacidade», explica ao mesmo jornal.
«Há vários casos muito prolongados no tempo, mais de 90 dias, de pessoas que têm alternadamente um resultado positivo, negativo, volta a ser positivo, de novo negativo. Nestas pessoas acha-se que há uma continuidade da presença de algum material genético do vírus que a infetou a primeira vez», afirma a especialista.
Luísa Pereira indica que também ainda não foi possível perceber a relação destes casos com a gravidade da doença e de que forma podem prejudicar a eficácia de uma vacina. «À semelhança do que acontece para outros vírus, como a febre da dengue, para o SARS-CoV-2 muitos dos sintomas graves da doença estão associados a uma resposta exagerada do nosso sistema imune», refere.
A semelhança deste vírus com a febre da doença, segundo explica, pode ter consequências ainda mais graves. Isto porque no caso da dengue, existem quatro estirpes e quando alguém é infetado com uma delas fica imune para sempre contra a mesma, mas quando é infetado por outra estirpe diferente adoece gravemente.
«Isto pode acontecer para o SARS-CoV-2», reconhece a especialista acrescentando: «Ainda não sabemos se é isso que vamos ver com a SARS-CoV-2, mas se se confirmar isso tem implicações sérias a nível da vacinação», conclui citada pelo ‘Público’.













