COVID-19 atrasa diagnótico de outras doenças: mais de 4 mil pessoas podem ter cancro e não saber

O novo coronavírus obrigou a um ajuste de recursos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), fazendo com que todos os cuidados não urgentes ficassem suspensos.

Revista de Imprensa

O novo coronavírus obrigou a um ajuste de recursos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), fazendo com que todos os cuidados não urgentes ficassem suspensos. Como resultado, 20 milhões de exames de diagnóstico e análises clínicas ficaram por fazer. Segundo avança o jornal Expresso, mais de quatro mil pesssoas poderão ter cancro e não saber.

Só na área dos cancros do aparelho digestivo, a média de casos detectados todos os meses situa-se nos 1440 tumores, de acordo com Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG). No entanto, sem colonoscopias ou endoscopias, entre outros exames, não há forma de saber.

Os dados mais recentes do Globocan, o observatório de cancro da Organização Mundial da Saúde, apontam para um total de 4.849 novas neoplasias não diagnosticadas no primeiro mês de suspensão dos exames. Incluindo 581 da mama, 551 da próstata, 440 do pulmão e 240 do estômago.

A Liga Portuguesa Contra o Cancro, por seu turno, parou os 30 mil rastreios mensais que realizava para detectar tumores – sendo que, em média, em cada mil rastreios, 2,5 dão positivo. Estarão, por isso, por identificar 75 novos doentes.

«É uma pandemia paralela, que resulta do adiamento do diagnóstico e tratamento das restantes patologias», afirma Abel Bruno Henriques. Citado pela mesma publicação, o secretário-geral da Federação Nacional dos Prestadores de Cuidados de Saúde explica que é o fecho da actividade programada nos hospitais privados e públicos que está a causar o problema.

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No último mês, conta, estão congelados mais de 10 milhões de actos só para utentes do SNS. Este número sobe para os 20 milhões de incluirmos os os beneficiários de subsistemas de saúde, como a ADSE. «Produzimos mais de 90% dos actos em ambulatório, portanto o SNS está congelado. Temos contabilizada uma redução de 80% nas análises clínicas, 95% na imagiologia e 100% em exames de cardiologia ou de gastrenterologia, como endoscopias ou colonoscopias, por exemplo», adianta. As únicas áreas que se mantêm são a diálise e a radioterapia.

Suspensas também estão as consultas presenciais e é muito difícil fazer diagnoóstico por telefone, tal como nota Rui Tato Marinho, presidente da SPG, ao Expresso: «Estamos preocupados com os efeitos colaterais da COVID. A pandemia está a matar 20 a 30 pessoas por dia e só os cancros do aparelho digestivo matam 24 a 25. A grande maioria não tem 80 anos como as vítimas da COVID.»

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