Covid-19: Assaltos a supermercados e revoltas populares aumentam tensão em Itália

A tensão no sul de itália aumenta de dia para dia, nas redes sociais são vários os apelos à rebelião e aos assaltos a supermercados, temendo-se uma revolta popular.

Simone Silva

Itália é o país europeu mais afectado pela pandemia de covid-19, facto que faz aumentar a tensão sentida no sul do país, região mais afectada pelo surto, motivada pelos encerramentos dos mais variados estabelecimentos e por pessoas que enfrentam verdadeiras dificuldades financeiras, sem qualquer apoio do Estado, de acordo com o ‘Corriere della Sera’.
Nas redes sociais e através de mensagens de voz no Whatsapp, são já vários os apelos à rebelião, bem como aos assaltos de supermercados, que de acordo com o jornal italiano, constituem uma «bomba social», que pode explodir a qualquer momento.

Um dos primeiros indícios dessa explosão começou na passada quinta-feira, dia 26 de Março, quando as autoridades espanholas se viram obrigadas a intervir num supermercado Lidl, em Palermo, na sequência de pelo menos 15 pessoas terem tentado sair da loja sem pagar. Os detidos justificaram o seu comportamento, dizendo que os preços fixados nas prateleiras, não correspondiam aos dos folhetos promocionais.

Foi criado também um grupo no Facebook, chamado de «Revolução Nacional», que apelou a «quem estiver pronto para a guerra no dia 3 de Abril, escreva aqui e vamos ser um grupo. Para nos fazermos ouvir, temos de atacar os supermercados como fazem na Síria e em Espanha. O verdadeiro protesto é apenas isso, para que eles entendam ao que chegamos», pode ler-se no grupo.

Um outro documento do Ministério do Interior, citado pelo jornal ‘La Repubblica’, alerta para «o perigo potencial de revoltas e rebeliões, espontâneas ou organizadas, especialmente no sul de Itália, onde a economia subterrânea e a presença generalizada do crime organizado são dois dos principais factores de risco», avisam.

O presidente da Câmara Municipal de Sicilia, Leoluca Orlando, refere que: «Para além dos muitos, muitos que estão a viver este momento de crise com dignidade, há alguns grupos organizados, grupos de chacais e profissionais do crime, que promovem acções violentas e encontram uma montra fácil nas redes sociais», afirma citado pelo ‘Corriere della Sera’.

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«São pessoas que, a partir das imagens, referências explícitas e apelidos que partilham nas suas páginas, comprovam e reivindicam a sua pertença ao submundo mafioso. Peço a todos os cidadãos que os denunciem às autoridades policiais, que denunciem as suas contas», apela Leoluca Orlando.

A gravidade da situação é percebida pelas declarações do ministro do Sul de Itália, Pepe Provenzano, que assume ter «medo que, com a continuação da crise, as preocupações que grande parte da população está a ter com a saúde, o rendimento e o futuro se transformem em raiva e ódio. Existem áreas sociais e territoriais frágeis e expostas. O orçamento público deve cuidar de todo o tecido social. E tem de o fazer agora», disse citado pelo ‘La Repubblica’.

A população está a ficar desesperada com a situação. Um casal italiano do sul do país, verbalizou o seu desespero junto de uma dependência bancária: «Não temos mais dinheiro, não temos mais nada!», tendo sido posteriormente ajudado pela vereadora da câmara municipal, Francesca Bottalico, que lhes deu dois sacos com comida e prometeu «Se tiverem problemas, não vamos deixar-vos sozinhos. Mas vocês têm de nos dizer».

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Também outro episódio passado em Nápoles está a tornar-se viral: «A minha filha está a comer um pedaço de pão com Nutella; se dentro de alguns dias a minha filha ou qualquer outra criança não puder comer esse pedaço de pão, vamos fazer uma revolução. Têm de dizer claramente quando vai chegar a ajuda e o dinheiro do fundo de despedimentos. Estou a dar a cara, porque nesta altura já nem quero saber se me prendem. Já passaram 20 dias e estamos a zero, o dinheiro desapareceu», alerta um italiano.

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